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Economia

A nova batalha de Milei: depois da inflação, o desafio é fazer a Argentina crescer

Milei derrubou a inflação da Argentina com um ajuste fiscal severo, mas a economia patina. Agora, o desafio é retomar o crescimento sem perder a estabilidade.

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Por Fundador e Editor-chefe · Publicado em
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Presidente da Argentina em contexto oficial, com bandeira argentina e Casa Rosada ao fundo em estilo colagem.
Arte editorial representa a presidência da Argentina em contexto oficial, com a bandeira nacional e a Casa Rosada em destaque. Imagem criada com inteligência artificial para o portal Analistas.com.br.

O presidente argentino domou uma das maiores inflações do mundo com o ajuste fiscal mais severo do planeta. Mas a economia patina, e o novo teste é fazer o país voltar a crescer sem perder a estabilidade conquistada. Os resultados dividem opiniões.

Javier Milei chega à segunda metade de seu mandato com uma vitória econômica na bagagem e um novo e difícil problema pela frente. O presidente argentino conseguiu o que parecia improvável: derrubar de forma expressiva a inflação, que durante anos figurou entre as maiores do planeta e corroía o poder de compra dos argentinos.

Agora, porém, o desafio mudou de endereço. Com os preços mais controlados, o foco se volta para tirar a economia da estagnação, um problema que se tornou a nova dor de cabeça da Casa Rosada. É uma mudança de fase que vai definir o sucesso, ou o fracasso, do projeto econômico libertário.

Como Milei derrubou a inflação

A estratégia foi tão simbólica quanto radical: a "motosserra" nos gastos públicos. Empossado no fim de 2023, Milei cortou ministérios, reduziu o funcionalismo e promoveu o que economistas classificam como um dos ajustes fiscais mais severos do mundo, buscando equilibrar as contas do governo.

O resultado apareceu nas contas públicas e na inflação, que desacelerou de patamares altíssimos. O esforço rendeu frutos também na percepção externa: a agência de classificação de risco Fitch elevou a nota de crédito da Argentina, reconhecendo a melhora fiscal, e investidores estrangeiros voltaram a olhar para o país com mais interesse.

O outro lado: a economia patina

Toda essa terapia de choque, no entanto, teve um preço, e é aqui que as opiniões se dividem. O forte corte de gastos e a recessão que se seguiu impactaram duramente parte da população, especialmente os grupos mais vulneráveis, e provocaram quedas na atividade econômica e na produção industrial ao longo do período.

A grande questão levantada por economistas é resumida em uma frase: por quanto tempo os argentinos vão tolerar a estagnação como o preço a pagar pela estabilidade? Enquanto a inflação era o inimigo número um, o sacrifício se justificava aos olhos de boa parte da população. Com os preços mais calmos, a cobrança por crescimento, emprego e renda tende a aumentar.

O calcanhar de aquiles: o dólar

Há ainda um velho conhecido dos argentinos rondando o cenário: o câmbio. Parte dos analistas aponta que o peso ficou sobrevalorizado, o que encarece os produtos do país e pode atrapalhar as exportações e a competitividade.

Administrar essa transição, mantendo a inflação sob controle sem travar o crescimento nem provocar uma desvalorização brusca da moeda, é considerado o grande teste técnico do governo. O relacionamento com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a política cambial seguem no centro das atenções dos investidores.

O que está em jogo daqui para frente

A avaliação dos economistas é que as reformas de Milei, embora tecnicamente coerentes, podem se revelar politicamente frágeis no médio prazo, sobretudo com a eleição de 2027 no horizonte. Por ora, o que joga a favor do governo é a desorganização da oposição, que ainda não se apresenta como uma alternativa clara ao eleitor.

A lógica que sustenta a aposta é direta: enquanto a Argentina conseguir voltar a crescer, terá condições de reduzir a pobreza e validar o ajuste. Se a estagnação se arrastar, porém, o desgaste político pode cobrar seu preço. O sucesso do plano depende, agora, de transformar a estabilidade conquistada em crescimento concreto.

Por que isso importa para o Brasil

O que acontece do outro lado da fronteira não é assunto distante. A Argentina é um dos maiores parceiros comerciais do Brasil e sócia no Mercosul, então uma recuperação da economia vizinha tende a aquecer o comércio bilateral, beneficiando setores como a indústria brasileira, que exporta bastante para lá.

Além disso, o "modelo Milei" virou uma referência recorrente no debate econômico brasileiro, citado tanto por quem defende cortes de gastos e Estado mínimo quanto por quem critica os custos sociais desse tipo de ajuste. Acompanhar o desfecho do experimento argentino, portanto, é também observar um laboratório de ideias que ecoa por aqui.

Matéria de contexto com informações de CNN Brasil, Agência Brasil e InfoMoney.

Foto de Muniz
Escrito por Fundador e Editor-chefe

Muniz é o fundador e editor-chefe do portal Analistas. Empreendedor digital e especialista em tecnologia voltada para o mercado financeiro, é o desenvolvedor por trás de plataformas de dados como o Ações Capital. Lidera a visão editorial e a infraestrutura tecnológica do Analistas, unindo entrega de cotações em tempo real e rigor analítico para democratizar a informação no mercado brasileiro.

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