A Aeris protocolou pedido de recuperação extrajudicial para renegociar R$ 1,52 bilhão em dívidas não correntes e sem garantia. A fabricante de pás para turbinas eólicas apresentou o pedido na terça-feira (3), após aprovação de seu conselho. A medida coloca AERI3 em uma situação de risco elevado, apesar da exposição ao setor de energia renovável.
O que é recuperação extrajudicial
O procedimento permite que uma empresa negocie um plano com grupos de credores e peça sua homologação judicial. Diferentemente da recuperação judicial tradicional, o processo pode ser mais direcionado e não precisa incluir todas as obrigações.
O objetivo é reorganizar prazos, juros e condições de pagamento para preservar a operação. A homologação, entretanto, não elimina a dívida nem garante a recuperação do negócio.
Prejuízo chegou a R$ 152 milhões
No segundo trimestre de 2026, a Aeris registrou prejuízo líquido de R$ 152 milhões. A combinação de perdas operacionais, necessidade de capital e endividamento reduziu a capacidade financeira da companhia.
O setor eólico possui perspectiva estrutural de crescimento, mas fabricantes podem sofrer com concentração de clientes, contratos de longo prazo, oscilação de insumos e mudanças no ritmo de encomendas.
Risco para o acionista aumenta
Em reestruturações, credores têm prioridade sobre os acionistas. Renegociações podem envolver alongamento, descontos, novas garantias ou conversão de dívida, com possível diluição do capital existente.
A ação pode apresentar movimentos fortes por especulação, mas o preço baixo não significa automaticamente oportunidade. O investidor deve acompanhar o plano, a adesão dos credores, a decisão judicial e a capacidade de a Aeris voltar a gerar caixa positivo.