As ações do Banco do Brasil tentaram uma recuperação nesta terça-feira (27), depois de despencarem 29,33% no pregão anterior. O movimento colocou BBAS3 entre os destaques das ações, mas a alta recuperou apenas uma pequena parte da perda acumulada na segunda-feira.
Queda levou ação a R$ 17,47
BBAS3 encerrou a segunda-feira (26) a R$ 17,47, ante R$ 24,72 no fechamento anterior. O papel chegou a R$ 16,48 durante o pregão e movimentou aproximadamente R$ 5 bilhões, volume muito acima do normal.
Na manhã desta terça, a ação subia pouco mais de 2% e era negociada perto de R$ 17,84. Mesmo com a reação, o preço continuava bem abaixo do nível registrado antes do segundo turno da eleição presidencial.
| Dado | Valor |
|---|---|
| Fechamento de 23 de outubro | R$ 24,72 |
| Fechamento de 26 de outubro | R$ 17,47 |
| Queda no pregão | 29,33% |
| Mínima de 26 de outubro | R$ 16,48 |
| Cotação perto do fim da manhã de 27 de outubro | cerca de R$ 17,84 |
Por que o mercado continua cauteloso
A reação ocorre depois de uma reprecificação intensa do risco doméstico. Bancos estatais costumam ser mais sensíveis a mudanças na expectativa sobre política econômica, crédito direcionado e governança.
No caso do Banco do Brasil, há ainda atenção especial à carteira do agronegócio. O mercado acompanha o nível de atrasos, renegociações e provisões para perdas. Uma piora nesses indicadores pode reduzir o lucro mesmo quando a receita cresce.
Balanço será o próximo teste
O Banco do Brasil informou que divulgará o resultado do terceiro trimestre em 11 de novembro, depois do fechamento do mercado. O balanço permitirá verificar a qualidade da carteira, as margens financeiras, as despesas e o nível de capital.
Esse conjunto de dados será mais útil para avaliar a empresa do que a oscilação de um único pregão. Uma ação pode subir depois de uma queda muito forte sem que a percepção estrutural tenha mudado.
Como ler a recuperação
Uma alta de 2% não compensa uma queda de 29,33%. Para voltar de R$ 17,47 a R$ 24,72, o papel precisaria avançar cerca de 41,5%, porque a base de comparação ficou menor.
O investidor deve separar recuperação técnica de melhora dos fundamentos. Até o balanço, a volatilidade pode continuar elevada, influenciada tanto pelo cenário político e fiscal quanto pelas expectativas para o crédito rural.