BEEF3: Minerva lucra R$ 848 mi e bate recorde, mas acende alerta para 2026
A Minerva Foods (BEEF3) reverteu o prejuízo bilionário e bateu recordes de receita em 2025 com ativos da Marfrig. Entenda por que a empresa prevê margens men...
A Minerva Foods (BEEF3), maior exportadora de carne bovina da América do Sul, entregou um balanço histórico referente ao ano de 2025. Colhendo os primeiros frutos da operação plena das unidades adquiridas da Marfrig, a companhia não apenas superou as expectativas do mercado, como reverteu o duro cenário do ano anterior. No quarto trimestre de 2025 (4T25), a companhia registrou um lucro líquido de R$ 85 milhões, deixando para trás o amargo prejuízo de R$ 1,57 bilhão reportado no mesmo período de 2024. A receita líquida do trimestre saltou 32,6%, atingindo R$ 14,2 bilhões, enquanto o Ebitda avançou 24%, para R$ 1,17 bilhão.
O ano dos recordes na Minerva
No acumulado de 2025, os números impressionam pela magnitude da virada operacional. A empresa bateu recordes em suas principais linhas de balanço:
- Lucro Líquido: R$ 848 milhões (revertendo perdas de R$ 1,56 bi em 2024).
- Receita Líquida: R$ 54,8 bilhões (salto expressivo de 60,9%).
- Ebitda: R$ 4,8 bilhões (aumento de 54%).
O desempenho robusto foi sustentado majoritariamente pelo mercado externo, que hoje responde por cerca de 60% da performance do frigorífico.
O alerta de rentabilidade para 2026
Apesar da euforia com os números de 2025, as ações BEEF3 devem precificar o tom de cautela adotado pela diretoria para o ano corrente. A companhia admitiu que 2026 trará margens mais apertadas. Segundo o CFO Edison Ticle, a pressão virá de duas frentes principais: a virada no ciclo do gado (que encarece a matéria-prima) e a alta nos custos de frete internacional.
O CEO Fernando Galletti de Queiroz explicou que o conflito envolvendo o Irã impacta o preço global do petróleo, encarecendo os combustíveis e a logística. Embora a região do Oriente Médio represente apenas 6% da receita da empresa, o efeito macroeconômico do frete mais caro onera toda a operação global.
Geopolítica: O xadrez entre China e EUA
O grande diferencial estratégico da Minerva para mitigar riscos em 2026 é a sua diversificação geográfica na América do Sul. A empresa está exposta aos dois maiores destinos da carne brasileira, mas com dinâmicas distintas:
- China (27% das exportações): O país asiático aplicou uma salvaguarda para proteger sua pecuária local, limitando a cota do Brasil a 1,1 milhão de toneladas (35% abaixo de 2024) com tarifa de 12%. Volumes excedentes pagarão 55% de taxa. Para contornar isso, a Minerva usará suas plantas em outros países sul-americanos para manter o fluxo de embarques com tarifas menores.
- Estados Unidos (19% das exportações): A Argentina recentemente teve sua cota ampliada para o mercado americano. Como a Minerva é a maior exportadora de carne bovina em solo argentino, a empresa está posicionada para capturar essa demanda.
Mercado interno travado pelos juros
No Brasil, o cenário segue desafiador. A leitura dos executivos é de que a taxa Selic em patamares elevados compromete a renda das famílias com despesas financeiras, sufocando o consumo de proteínas mais nobres. Esse sintoma já foi sentido no 4T25, quando a demanda doméstica cresceu abaixo das projeções da empresa.
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