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Economia

Benefícios sustentam renda de cidades do interior

Estudo da USP mostra que aposentadorias, Bolsa Família e BPC movimentam o comércio local e evitam perdas maiores de renda e avanço da pobreza no interior.

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Por Fundador e Editor-chefe · Publicado em Revisado por Muniz
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Colagem clean com comércio de cidade pequena, feira, mapa do Brasil e circulação de renda entre moradores
Colagem editorial sobre o peso dos benefícios sociais e previdenciários na economia do interior. Imagem gerada por IA / Analistas

Aposentadorias, Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada têm peso decisivo na renda e no comércio de milhares de cidades do interior, segundo estudo do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da USP. A pesquisa indica que a falta de reajustes reais poderia ampliar a pobreza e reduzir o consumo local, especialmente onde pagamentos do INSS representam parcela elevada da renda e a inflação corrói rapidamente o orçamento das famílias.

O levantamento analisa cerca de 4 mil municípios localizados fora das regiões metropolitanas. Nessas cidades, as transferências públicas podem ter o dobro do peso observado nos grandes centros. O dinheiro recebido pelas famílias costuma ser gasto rapidamente com alimentação, remédios, aluguel, roupas e serviços, fazendo a renda circular no próprio município.

O que o estudo mediu

Os pesquisadores compararam dois caminhos. No primeiro, benefícios sociais e previdenciários acompanham a política recente, que incluiu ganhos reais ligados ao salário mínimo. No segundo, os valores seguem um cenário sem aumento acima da inflação ou ficam congelados, semelhante ao padrão observado entre 2019 e 2022.

Essa comparação é uma simulação, não uma previsão de corte já decidido. O estudo procura mostrar o que poderia acontecer se o poder de compra dos benefícios deixasse de avançar durante três anos.

Indicador do estudoResultado estimado
Municípios fora de regiões metropolitanascerca de 4 mil
Perda de renda agregada no interiorentre 6,8% e 10,8%
Pessoas adicionais na pobrezacerca de 2,7 milhões
Pessoas adicionais na extrema pobrezacerca de 2,4 milhões
Queda nos estados mais afetadosentre 17% e 18%

“Como o valor recebido por essas famílias é usado quase integralmente para a aquisição de itens de primeira necessidade, o dinheiro circula imediatamente no comércio local”, explicou a economista Luiza Nassif, codiretora do Made-USP.

Por que o comércio local depende desse dinheiro

Em uma cidade pequena, parte importante das vendas ocorre nos dias de pagamento de aposentadorias e benefícios. Mercados, farmácias, padarias e lojas recebem diretamente essa demanda. Os comerciantes, por sua vez, pagam funcionários, fornecedores e tributos municipais, espalhando o efeito para outras famílias.

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Esse movimento é mais forte entre pessoas de renda baixa porque quase todo o valor recebido é destinado ao consumo básico. Famílias mais ricas conseguem poupar parte maior da renda ou comprar fora do município. Para quem vive perto da linha de pobreza, o dinheiro costuma voltar à economia em poucos dias.

No Ceará, o estudo aponta que benefícios sociais e previdenciários equivalem a 22% da renda agregada de Fortaleza e de sua região metropolitana. No interior cearense, a participação chega a 40%. A diferença ajuda a explicar por que uma mudança de reajuste produz efeito mais forte longe das capitais.

Estados do Norte e Nordeste são mais sensíveis

As simulações indicam as maiores perdas no interior do Rio Grande do Norte, Amapá e Piauí, com redução entre 17% e 18% da renda total no cenário sem valorização. Amazonas, Sergipe e Pernambuco aparecem com queda próxima de 15%.

Ceará, Maranhão, Alagoas e Bahia registrariam retração entre 10% e 13%. Em estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, a perda estimada chega a 6,5% em vários casos. Mesmo um percentual menor pode ser relevante quando alcança milhões de pessoas e muitos municípios.

As diferenças refletem estrutura de emprego, tamanho das cidades, envelhecimento da população e participação dos benefícios na renda. Não significa que toda cidade de determinado estado teria exatamente o mesmo resultado.

Efeito sobre pobreza é uma simulação

O estudo estima que, se não houvesse ganhos reais nos benefícios entre 2022 e 2025, aproximadamente 2,7 milhões de pessoas poderiam ter entrado na pobreza em municípios fora das regiões metropolitanas. Desse total, 2,4 milhões poderiam chegar à extrema pobreza.

Bahia teria o maior aumento absoluto, com até 336 mil pessoas adicionais na pobreza. São Paulo aparece com até 263 mil e Minas Gerais com até 251 mil. Maranhão, Pará e Ceará teriam mais de 200 mil pessoas adicionais em cada estado.

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Esses números não representam pessoas que perderam um benefício nesta semana. São resultados de um modelo que compara cenários de renda. A distinção evita transformar uma hipótese econômica em notícia sobre decisão governamental que não ocorreu.

Reajuste nominal não garante poder de compra

Quando um benefício sobe menos que os preços, o valor nominal aumenta, mas compra menos produtos. Alimentos e medicamentos têm peso elevado no orçamento de famílias vulneráveis. Uma diferença pequena no reajuste pode exigir corte de quantidade, troca de marca ou adiamento de despesas.

O ganho real ocorre quando o aumento supera a inflação. Esse crescimento pode preservar o consumo, mas também aumenta despesas públicas. A discussão envolve duas dimensões: proteção social e sustentabilidade do orçamento. O estudo da USP enfatiza o primeiro lado e os efeitos locais da renda.

O que acompanhar

As próximas propostas para salário mínimo, aposentadorias, BPC e programas de transferência deverão ser avaliadas não apenas pelo valor anunciado, mas também pela inflação prevista. Outro ponto é a cobertura: aumentar um benefício tem efeito diferente de incluir novas famílias.

Para prefeitos e comerciantes, a pesquisa mostra que políticas nacionais chegam rapidamente ao caixa local. Uma aposentadoria paga em Brasília pode virar compra no mercado da esquina no mesmo dia.

O principal resultado é que benefícios não afetam somente quem recebe. Em cidades com pouca indústria e emprego formal limitado, eles ajudam a sustentar vendas, postos de trabalho e arrecadação. Qualquer mudança precisa considerar essa cadeia antes de ser tratada apenas como uma linha de despesa.

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Escrito por Fundador e Editor-chefe

Muniz é o fundador e editor-chefe do portal Analistas. Empreendedor digital e especialista em tecnologia voltada para o mercado financeiro, é o desenvolvedor por trás de plataformas de dados como o Ações Capital. Lidera a visão editorial e a infraestrutura tecnológica do Analistas, unindo entrega de cotações em tempo real e rigor analítico para democratizar a informação no mercado brasileiro.

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Esta matéria foi revisada por Muniz (Fundador e Editor-chefe).

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