A maior gestora do mundo cruzou a marca dos 10% das ações da B3. A própria empresa avisa que é só investimento, sem intenção de mexer no controle, mas o patamar tem peso regulatório e é um voto de confiança na Bolsa brasileira.
A BlackRock, maior gestora de recursos do mundo, elevou sua participação na B3, a operadora da Bolsa brasileira, para cerca de 10% das ações ordinárias. A informação foi divulgada pela própria B3 em comunicado ao mercado nesta segunda-feira (20), referente à posição apurada em 16 de julho. A BlackRock, comandada por Larry Fink, administra trilhões de dólares em ativos ao redor do mundo.
Somando ações e recibos (ADRs), a gestora passou a deter 506.150.249 ações ordinárias, o equivalente a aproximadamente 10,030% do total. A BlackRock possui ainda instrumentos derivativos de liquidação financeira que representam outros 0,502% do capital.
Por que 10% é um número que importa
O tamanho da fatia não é detalhe. Quando um investidor cruza a marca de 10% das ações de uma companhia listada, ele é obrigado por regra da CVM a comunicar formalmente a posição ao mercado, justamente o que aconteceu aqui. É um limiar de transparência, pensado para que o mercado saiba quando um grande player ganha peso relevante em uma empresa.
A própria BlackRock antecipou a leitura que o mercado poderia fazer e cravou, no comunicado, que a intenção é estritamente de investimento. Segundo a gestora, o objetivo não é alterar o controle acionário nem a estrutura administrativa da companhia. Na prática, é a gestora dizendo que não veio para brigar por poder, e sim porque enxerga valor no ativo.
O recado por trás do movimento
Ainda que seja "só investimento", uma posição de 10% da maior gestora do planeta na dona da Bolsa carrega um sinal. A BlackRock administra trilhões de dólares e distribui esse capital pelo mundo de forma criteriosa. Aumentar a exposição à B3, que é uma espécie de termômetro do mercado de capitais brasileiro como um todo, sugere confiança no ambiente de investimentos do país num momento em que o real se valoriza e o estrangeiro reavalia posições. Aliás, a posição foi apurada em 16 de julho, poucos dias antes de o fechamento desta segunda mostrar o investidor estrangeiro em "compasso de espera", à espera de precificar a inteligência artificial lá fora antes de voltar em peso ao Brasil.
Vale lembrar que boa parte dessa participação é detida em nome de clientes da gestora, dentro de fundos e produtos que a BlackRock administra, e não necessariamente capital proprietário. Ainda assim, a decisão de alocação é da casa.