Os preços dos automóveis leves usados subiram 0,36% entre julho e setembro, segundo o IBV Auto, indicador do banco BV divulgado em 6 de outubro. O resultado ficou abaixo da alta de 1,27% do segundo trimestre de 2026 e dos 2,04% registrados no terceiro trimestre de 2025.
A desaceleração significa que os preços aumentaram menos, não que o mercado inteiro ficou mais barato. Em setembro, o índice avançou 0,30%, depois de recuar 0,01% em agosto. A alta acumulada em 2026 chegou a 3,86%.
Na avaliação apresentada pelo BV à imprensa, a atividade mais moderada e a concorrência dos veículos novos limitam reajustes mais intensos no mercado de segunda mão.
Depreciação dos elétricos exige atenção ao recorte
O levantamento aponta perda próxima de 47% no valor de revenda dos elétricos lançados em 2023, até setembro. Para híbridos comparáveis, a queda foi de 27,89%; para veículos a combustão, de 22,20%.
Esses percentuais não são a variação mensal do índice e tampouco uma previsão para qualquer carro elétrico comprado agora. Eles acompanham um conjunto e um período específicos. Misturar a depreciação de uma safra de veículos com a inflação geral dos usados levaria a conclusões incorretas.
A situação de um automóvel depende também de versão, conservação, quilometragem e histórico. Uma média de mercado não substitui a avaliação do bem que será negociado.
O custo de trocar de carro vai além da etiqueta
Para o comprador, uma desaceleração dos preços pode ampliar espaço de comparação entre alternativas. Mas a decisão econômica depende do valor total: entrada, financiamento, seguro, manutenção e eventual revenda formam partes diferentes da conta.
A queda de preço de um carro específico também pode afetar o valor recebido por quem pretende usá-lo como entrada em outro veículo. Por isso, a diferença entre compra e venda pode ser mais relevante para a troca do que a direção isolada de um indicador.
O avanço de novas tecnologias segue modificando a concorrência global. O Analistas acompanhou, por exemplo, as entregas da Tesla no terceiro trimestre. Dados de produção ou vendas externas, porém, não determinam diretamente o preço de revenda de um veículo no Brasil.
O IBV Auto oferece um termômetro útil da tendência observada. Sua leitura mais importante neste trimestre é a redução do ritmo de alta, com diferenças entre segmentos, e não a promessa de desvalorização uniforme de todos os carros usados.
Fontes: Estadão Conteúdo, publicado pelo UOL, e Guru dos Carros, com dados do IBV Auto do banco BV, em 6 de outubro de 2026.