CASH3: Aposta no Bitcoin ofusca operação recorde do Méliuz no 4T25
O Méliuz (CASH3) reportou prejuízo no 4T25 devido a uma baixa contábil milionária com Bitcoin. Entenda por que, no operacional, a empresa bateu recordes.
O balanço do quarto trimestre de 2025 do Méliuz (CASH3) exige que o investidor leia as entrelinhas. À primeira vista, a companhia reportou um prejuízo líquido consolidado de R$ 32,9 milhões, uma forte reversão frente ao lucro de R$ 21,5 milhões registrado no mesmo período de 2024. Mas o que puxou esse resultado para o vermelho não foi a operação do dia a dia, e sim uma pesada âncora digital: o Bitcoin (BTC). O resultado oficial foi duramente impactado pela estratégia de tesouraria da companhia em criptoativos. O mercado, no entanto, costuma olhar além da manchete para avaliar se a máquina de geração de caixa da empresa está funcionando. E, nesse aspecto, os números contam uma história bem diferente.
O "Fantasma Contábil" do Bitcoin
Para entender o prejuízo, é preciso olhar para a linha de impairment (baixa contábil). O Méliuz precisou reconhecer um impacto negativo de R$ 57,1 milhões relacionado aos seus ativos em Bitcoin. Isso ocorreu porque o preço da criptomoeda no fechamento do trimestre (31 de dezembro de 2025), cotado a US$ 87.711, ficou abaixo do preço médio de aquisição feito pela empresa, que foi de US$ 103,3 mil.
Limpando o ruído: Operação principal bate recorde
Quando isolamos os itens extraordinários e o efeito das criptomoedas para observar apenas o negócio central (cashback e serviços financeiros), o cenário muda drasticamente. O lucro líquido ajustado disparou impressionantes 772% na comparação anual, somando R$ 18,8 milhões. A força operacional fica ainda mais evidente na principal métrica de geração de caixa das empresas de tecnologia:
- EBITDA Ajustado: R$ 34,6 milhões (crescimento de 64% ano contra ano).
- Margem EBITDA Ajustada: Atingiu a marca histórica de 25% (avanço de 4,9 pontos percentuais), o maior nível já registrado pela companhia.
Crescimento de Receita e Base de Clientes
A expansão orgânica também manteve tração. A receita líquida consolidada avançou 32%, totalizando R$ 138,3 milhões no trimestre. A diretoria atribui esse salto a um duplo acerto estratégico: a contínua atração de novos usuários e, mais importante, o aumento nas taxas de retenção. O Méliuz encerrou 2025 com uma robusta base de 49,4 milhões de clientes. Para o mercado financeiro, o desafio agora é precificar CASH3 separando o "Méliuz tech/cashback" (que roda com margens recordes) do "Méliuz fundo de cripto" (que adicionou extrema volatilidade ao resultado final).
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