Caso Master: Vorcaro contrata especialista e abre caminho para delação
O banqueiro Daniel Vorcaro trocou sua defesa jurídica por um especialista em delação premiada após derrota no STF. Entenda o impacto no Caso Master e os R$ 4...
O Caso Master, considerado um dos episódios mais graves da história recente do sistema financeiro brasileiro, ganhou um novo e decisivo capítulo nesta sexta-feira (13). O banqueiro Daniel Vorcaro, dono da instituição, oficializou a troca de sua equipe jurídica, sinalizando uma guinada estratégica: a possibilidade real de um acordo de delação premiada. Sai de cena o advogado Pierpaolo Bottini, conhecido por ser doutrinariamente contrário ao uso da delação como estratégia, e assume José Luís Oliveira Lima, o "Dr. Juca". O novo defensor é um renomado especialista em acordos de colaboração e também defende figuras centrais de outras grandes tramas jurídicas no país.
Derrota no STF precipitou mudança
A movimentação ocorre imediatamente após a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formar maioria para manter a prisão de Vorcaro. Os ministros André Mendonça (relator), Luiz Fux e Kassio Nunes Marques votaram pela manutenção da custódia. O ministro Dias Toffoli declarou-se suspeito, restando apenas o voto de Gilmar Mendes. De acordo com apurações, Vorcaro já teria realizado sondagens iniciais com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal (PF). Embora as tratativas estejam em estágio embrionário e sem termo de confidencialidade assinado, a chegada do Dr. Juca é lida pelo mercado como o "sinal verde" para que o banqueiro comece a falar.
Relembre o colapso do Banco Master
A crise do conglomerado veio à tona em 18 de novembro de 2024, quando o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master S/A e suas controladas, incluindo o Banco Letsbank e a corretora do grupo. O braço digital, Will Bank, também teve seu encerramento forçado em janeiro de 2026. A Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, investiga um esquema complexo que envolveria:
- Emissão de títulos falsos: Criação de ativos sem lastro real no Sistema Financeiro Nacional;
- Balanços inflados: Manobras contábeis para esconder a deterioração da liquidez;
- CDBs acima do mercado: Captação agressiva com taxas irreais para sustentar o fluxo de caixa.
O rombo de R$ 40 bilhões
O impacto do colapso do Master é massivo. O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) já iniciou o pagamento aos credores, com garantias que somam impressionantes R$ 40,6 bilhões. Além do rombo financeiro, o caso expõe uma tensão institucional inédita envolvendo o Banco Central, o TCU, a PF e o Judiciário. A eventual delação de Daniel Vorcaro pode ser o "fio da meada" para revelar conexões ainda mais profundas e outros atores envolvidos na estruturação das operações que levaram à queda do gigante financeiro.
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