A confiança empresarial brasileira caiu 0,3 ponto em outubro, para 89,8 pontos, informou o FGV Ibre. Foi a quarta queda mensal consecutiva, indicando enfraquecimento no início do quarto trimestre. O resultado interessa a quem acompanha a economia brasileira e os efeitos dos juros sobre investimento, consumo e produção.
Índice permanece abaixo da neutralidade
O indicador abaixo de 100 pontos mostra predominância de avaliações negativas. Na média móvel de três meses, a confiança recuou 0,6 ponto, segunda queda seguida. Em relação a outubro de 2025, houve baixa de 0,6 ponto.
| Indicador | Outubro de 2026 | Variação mensal |
|---|---|---|
| Confiança empresarial | 89,8 | -0,3 ponto |
| Situação atual | 87,8 | -1,2 ponto |
| Expectativas | 90,2 | +0,6 ponto |
O pesquisador Aloisio Campelo Jr., do FGV Ibre, afirmou que a sequência indica continuidade da tendência de enfraquecimento da atividade, com destaque negativo para a indústria.
Presente piorou, futuro teve pequeno alívio
O componente que mede a situação atual dos negócios caiu 1,2 ponto, para 87,8. A avaliação sobre a demanda corrente recuou 1 ponto, para 91,4.
Já o Índice de Expectativas Empresariais subiu 0,6 ponto e interrompeu três meses de queda. A percepção sobre os negócios nos seis meses seguintes avançou 1,2 ponto, embora o otimismo com a demanda nos três meses seguintes tenha ficado estável.
A combinação mostra empresas insatisfeitas com as condições presentes, mas um pouco menos pessimistas sobre o futuro. Ainda assim, ambos os componentes continuam abaixo de 100.
Comércio lidera melhora entre setores
A confiança aumentou em três dos quatro setores pesquisados. O comércio avançou 1,8 ponto, para 83,1. Serviços subiram 0,1, para 88,2, e construção ganhou 0,2, para 90,7.
A indústria foi a exceção negativa, com recuo de 0,3 ponto, para 91. O resultado combina com o PMI industrial de outubro, que permaneceu em território de contração.
Na abertura por segmentos, 24 dos 49 grupos tiveram melhora. A disseminação foi maior que no mês anterior, e serviços apresentaram alta em 54% dos segmentos.
Por que confiança importa
Empresas mais confiantes tendem a contratar, investir e formar estoques. Quando a percepção piora, decisões podem ser adiadas, especialmente se o crédito está caro e a demanda é incerta.
O índice não mede diretamente produção ou lucro. Ele registra avaliações dos empresários e deve ser combinado com vendas, emprego, produção e investimento.
Próximos sinais
A pesquisa foi coletada entre 1º e 27 de outubro, atravessando o período eleitoral. Parte da incerteza pode diminuir após a definição do resultado, mas política fiscal, inflação e juros continuarão influenciando decisões.
Os próximos levantamentos mostrarão se a melhora das expectativas se sustenta ou se a piora da situação atual volta a contaminar os planos para 2027.