Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro participam neste domingo, 18 de outubro, às 20h, do primeiro debate presidencial do segundo turno das eleições de 2026. O encontro será realizado nos estúdios da Band, em São Paulo, uma semana antes da votação, e pode esclarecer propostas sobre contas públicas, impostos e trabalho que influenciam as eleições de 2026 e a implementação da reforma tributária.
Os dois candidatos confirmaram presença. A transmissão principal deve durar aproximadamente duas horas, das 20h às 22h. O debate terá confronto direto, perguntas de jornalistas, espaço para apresentação de programas e considerações finais.
Horário e onde assistir
A Band inicia o pré-debate na TV aberta às 19h30. Nas plataformas digitais, a cobertura começa às 19h. BandNews TV e rádios do grupo acompanham a movimentação a partir das 18h.
| Plataforma | Início informado |
|---|---|
| Debate | 20h |
| Pré-debate na Band | 19h30 |
| Band.com.br e YouTube | 19h |
| BandNews TV e rádios | 18h |
| Duração estimada | cerca de duas horas |
O público poderá assistir pela Band na televisão aberta, BandNews TV, portal Band.com.br, aplicativo Bandplay e canal Band Jornalismo no YouTube. As rádios Bandeirantes e BandNews FM também transmitirão o confronto.
Como será o formato
Segundo a direção de jornalismo da emissora, haverá dois blocos de confronto direto com tempo administrado pelos candidatos. Jornalistas também farão perguntas programáticas. A duração pode variar se houver pedidos de direito de resposta.
“É fundamental debater, trocar ideias, mostrar para os brasileiros os projetos de governo”, afirmou Rodolfo Schneider, diretor nacional de jornalismo da Band.
O formato com tempo livre permite resposta, réplica e cobrança mais longa. Para o eleitor, o ponto importante é observar se os candidatos apresentam números, prazos e meios de financiamento, em vez de apenas repetir promessas gerais.
Contas públicas devem estar no centro
O próximo governo precisará explicar como pretende equilibrar receitas e despesas. Prometer novos programas ou cortes de impostos sem mostrar a fonte de recursos deixa uma parte essencial da proposta sem resposta.
Durante o debate, vale prestar atenção a três perguntas: qual é a meta para o resultado primário, quais despesas seriam revistas e quais receitas sustentariam as prioridades. Também importa saber em quanto tempo o ajuste ocorreria e como ele afetaria serviços públicos.
Uma proposta de corte rápido pode reduzir dívida e juros esperados, mas também atingir investimentos e políticas sociais. Um ajuste lento preserva gastos no curto prazo, porém pode manter a desconfiança se não houver trajetória clara. O eleitor deve procurar detalhes, não apenas rótulos como austeridade ou responsabilidade social.
Impostos e reforma tributária
A reforma tributária já aprovada ainda exige etapas de regulamentação e adaptação. Empresas precisam saber como cada candidatura pretende conduzir a transição, administrar créditos tributários e tratar pequenos negócios.
Também podem aparecer propostas para Imposto de Renda, tributação de dividendos, folha de pagamento e consumo. Toda promessa de reduzir imposto deve indicar se haverá corte de despesa, substituição por outra receita ou aumento do déficit.
Para o consumidor, a pergunta principal é quando a mudança chegaria ao preço final. Imposto menor não é repassado integralmente em todos os mercados, assim como imposto maior pode ser absorvido em parte pelas empresas. Concorrência e margem definem o resultado.
Emprego e fim da escala 6x1
A mudança da jornada de trabalho deverá entrar na discussão. O Congresso promulgou a emenda que garante dois dias de descanso semanal e reduz gradualmente o limite de 44 para 40 horas, sem corte de salário.
O debate pode mostrar como cada candidato pretende apoiar empresas e fiscalizar o cumprimento. A equipe econômica do governo já mencionou crédito e capacitação, mas ainda não apresentou regras. Flávio Bolsonaro poderá explicar se manteria, mudaria ou complementaria esse caminho.
O eleitor deve separar a regra aprovada das medidas que ainda estão em estudo. Também vale observar propostas para qualificação profissional, formalização, produtividade e custo de contratação.
Petrobras, combustível e energia
A Petrobras costuma aparecer em debates presidenciais porque afeta investimentos, dividendos públicos e combustíveis. Os candidatos podem ser questionados sobre política de preços, papel da União como controladora e ritmo de exploração de novas áreas.
Uma política de preços precisa explicar como lida com petróleo e dólar. Segurar reajustes em momentos de alta pode aliviar o consumidor temporariamente, mas transfere custo à empresa. Repassar toda oscilação rapidamente aumenta a volatilidade nas bombas. Existem escolhas intermediárias, que também precisam de critérios transparentes.
Outro ponto é a destinação dos dividendos. A União recebe parte relevante e pode usar os recursos no orçamento. Ao mesmo tempo, a companhia precisa financiar produção, refino e transição energética.
Salário mínimo, benefícios e inflação
O debate também pode tratar de reajuste do salário mínimo, aposentadorias e programas de transferência de renda. O valor nominal precisa ser comparado à inflação. Um aumento abaixo dos preços reduz poder de compra; ganho real eleva renda, mas amplia despesas ligadas ao piso.
É importante perguntar qual fórmula cada candidato defende e como ela cabe no orçamento. Promessas de valorização precisam ser acompanhadas de projeções para crescimento, arrecadação e despesas previdenciárias.
Como avaliar as respostas
Uma proposta econômica completa informa objetivo, custo, fonte do dinheiro, prazo e público atendido. Quando o candidato apresentar um número, o eleitor pode observar se ele é anual, mensal, nominal ou corrigido pela inflação. Comparações sem a mesma base confundem.
Também vale diferenciar medida que depende do presidente daquela que exige aprovação do Congresso. Mudanças de imposto, regras trabalhistas e despesas permanentes frequentemente precisam de lei ou alteração constitucional.
O debate não deve resolver toda a escolha eleitoral, mas oferece oportunidade para colocar projetos lado a lado. Para quem acompanha a economia, as melhores respostas serão as que mostram consequências práticas e reconhecem os custos de cada decisão.
O encontro começa às 20h deste domingo. A uma semana do segundo turno, é a primeira chance de Lula e Flávio Bolsonaro se confrontarem diretamente e detalharem como pretendem administrar o dinheiro público e as decisões que chegam ao bolso das famílias.