O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta terça-feira (27) que o governo pretende discutir com o mercado e o setor privado medidas para cumprir a meta fiscal. O tema afeta a percepção sobre os juros e ganhou peso na transição após as Eleições 2026, quando os ativos brasileiros passaram por forte volatilidade.
O que o governo estuda
Uma das alternativas citadas por Durigan é aumentar a parcela do Orçamento da União que pode ser contingenciada. Na prática, o contingenciamento permite bloquear temporariamente despesas quando a arrecadação ou a trajetória fiscal não são suficientes para alcançar a meta.
A mudança depende de aprovação do Congresso. O ministro não detalhou valores, prazos nem quais gastos poderiam ser atingidos. Também disse que há medidas em estudo e outras já preparadas, mas que os anúncios dependem da autorização do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da definição da equipe econômica do próximo mandato.
| Ponto | Situação informada |
|---|---|
| Meta fiscal | Governo diz que buscará o centro da meta |
| Contingenciamento | Ampliação da parcela bloqueável está em estudo |
| Aprovação | Mudança depende do Congresso |
| Detalhes | Ainda não foram divulgados |
Contato com o mercado
Durigan relatou que conversou na segunda-feira (26) com representantes do setor financeiro. Segundo ele, o objetivo foi estabelecer parâmetros técnicos e reduzir a tensão depois do segundo turno da eleição presidencial.
O movimento ocorreu após um pregão de forte queda da Bolsa, alta do dólar e abertura das taxas futuras. Nesse ambiente, investidores passaram a cobrar sinais mais claros sobre despesas, arrecadação e dívida pública.
O que significa buscar o centro da meta
O arcabouço fiscal trabalha com uma meta central e uma faixa de tolerância. Cumprir apenas o limite inferior pode atender formalmente à regra, mas buscar o centro exige resultado mais forte.
Para chegar lá, o governo pode combinar contenção de despesas, aumento de receitas e mudanças legais. Cada opção tem efeitos diferentes sobre atividade, serviços públicos e carga tributária. Por isso, o conteúdo das propostas será mais importante do que a sinalização inicial.
O que acompanhar agora
Os próximos pontos são o anúncio das medidas, o tamanho do ajuste e a tramitação no Congresso. Também será necessário verificar se as propostas melhoram de fato o resultado primário ou apenas antecipam receitas e adiam despesas.
Até a divulgação dos detalhes, a fala de Durigan funciona como compromisso político, não como ajuste concluído. A reação do mercado dependerá de números, calendário e capacidade de aprovação.