A inteligência artificial já aparece em algum nível em 96,3% das empresas não financeiras ouvidas pelo Banco Central na Pesquisa Firmus do terceiro trimestre de 2026. A presença é ampla, mas o grau de maturidade varia: apenas 5,5% disseram que a tecnologia está disseminada e integrada à maior parte dos processos.
O levantamento foi realizado entre 10 e 28 de agosto e recebeu respostas de 379 empresas. Por se tratar de uma amostra de participantes da Firmus, o resultado não significa que 96,3% de todas as empresas brasileiras usem IA.
A maior parcela ainda está na fase experimental
Entre as companhias consultadas, 36,7% relataram uso experimental, informal ou não estruturado de inteligência artificial. Outros 34% usam a tecnologia de forma estruturada e recorrente, mas concentrada em atividades-meio.
Em 20,1% das empresas, a IA já alcança atividades-fim do negócio. Somente 5,5% declararam integração à maior parte dos processos. Os percentuais mostram que usar uma ferramenta pontualmente é diferente de reorganizar a operação ao redor da tecnologia.
A distinção importa para avaliar produtividade. Um chatbot utilizado por parte da equipe, por exemplo, representa um estágio diferente de sistemas integrados a produção, atendimento, logística, análise de risco ou desenvolvimento de produtos.
Maioria ainda não mede o impacto na produção
Cerca de 64% das participantes não apresentaram uma estimativa para o efeito da IA sobre o volume produzido. Entre todas as empresas ouvidas, 21,6% estimaram aumento superior a 1% na produção associado à tecnologia.
O dado sinaliza benefício para uma parcela das empresas, mas não permite concluir que houve ganho generalizado de produtividade. Produção maior precisa ser comparada com custos, capital e horas de trabalho empregados.
No lado dos custos, 10,3% estimaram aumento superior a 1% no custo médio de produção, enquanto 7,9% apontaram redução acima de 1%. Licenças, treinamento, infraestrutura e integração podem elevar despesas na etapa inicial, enquanto automação e eficiência podem reduzi-las em operações mais maduras.
Adoção não é o mesmo que retorno financeiro
A Pesquisa Firmus registra a percepção das empresas, não uma auditoria dos projetos de inteligência artificial. Os resultados ajudam a medir difusão e estágio de implementação, mas não demonstram, sozinhos, retorno sobre investimento.
Para gestores e investidores, a pergunta relevante deixa de ser apenas se a empresa usa IA. Passa a incluir quais processos foram modificados, como os resultados são medidos, quanto custa manter as soluções e se os ganhos persistem depois da fase de testes.
O Analistas mostrou que o Redata criou incentivos para datacenters e infraestrutura de inteligência artificial no Brasil. Capacidade computacional pode ampliar a oferta local, mas o resultado econômico dependerá de aplicações capazes de gerar receita ou reduzir custos de maneira verificável.
Firmus também trouxe projeções econômicas
Além da pergunta especial sobre inteligência artificial, a pesquisa mostrou que a mediana das empresas para o IPCA de 2026 permaneceu em 5%. A estimativa para 2027 subiu de 4% para 4,5%, enquanto a projeção para 2028 ficou em 4%.
A expectativa para o crescimento do PIB de 2026 avançou de 1,8% para 1,9%. Para 2027, porém, recuou de 1,8% para 1,5%. A mediana para o dólar seis meses à frente passou de R$ 5,15 para R$ 5,20.
Firmus e Focus não são a mesma pesquisa. A Firmus reúne percepções de empresas não financeiras; o Focus compila projeções de instituições participantes do mercado. Nesta segunda-feira, o Analistas mostrou que o Focus elevou a inflação esperada de 2026 para 4,99% e reduziu a projeção do PIB.
Fonte principal: Banco Central do Brasil, Pesquisa Firmus do terceiro trimestre de 2026. Dados complementares foram confrontados com a divulgação do BC e cobertura da CNN Brasil e do Estadão Conteúdo.