FGC libera R$ 4,8 bi a credores do Banco Pleno; veja como resgatar
O FGC iniciou nesta segunda-feira (23) o pagamento das garantias para 152 mil investidores do Banco Pleno (ex-conglomerado Master). Saiba como solicitar o re...
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) deu início nesta segunda-feira (23) a mais uma fase crucial na mitigação dos danos causados pela quebra do conglomerado Banco Master. A entidade começou a liberar os pagamentos aos investidores do Banco Pleno, instituição que teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central na esteira da crise do grupo. De acordo com os dados oficiais, a exposição confirmada abrange 152 mil credores, totalizando um montante de R$ 4,8 bilhões a ser devolvido ao mercado. Investidores que detinham na carteira títulos de emissão bancária, como os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) do Banco Pleno, já estão aptos a solicitar o resgate da garantia.
Regras de Garantia: O que está coberto?
É fundamental que o investidor relembre as regras de cobertura do FGC. A garantia ordinária é de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, englobando o principal investido mais os juros acumulados até a data da decretação da liquidação. Esse limite é válido por instituição financeira (ou conglomerado). Além disso, há um teto global de R$ 1 milhão a cada período de quatro anos para garantias acionadas pelo mesmo investidor.
Como solicitar o resgate (Passo a Passo)
O processo de restituição foi totalmente digitalizado para dar celeridade ao fluxo de caixa dos credores, mas difere substancialmente entre Pessoas Físicas e Pessoas Jurídicas.
Para Pessoas Físicas (PF)
O procedimento deve ser feito exclusivamente via smartphone. O investidor precisa baixar o Aplicativo do FGC (disponível nas lojas oficiais), realizar um cadastro com biometria facial e seguir as instruções na tela. Corretoras de valores, como a XP Investimentos, já começaram a disparar comunicados orientando seus clientes sobre a disponibilidade do saque. Após a assinatura digital do termo no app, o FGC estima que o valor caia na conta indicada em até dois dias úteis.
Para Pessoas Jurídicas (PJ)
Empresas que tinham o caixa alocado no Banco Pleno não conseguem fazer o processo pelo aplicativo. O representante legal da empresa (administrador ou procurador) deve solicitar a garantia do FGC acessando diretamente o Portal do Investidor. Após o preenchimento das informações societárias e bancárias iniciais, o FGC enviará um e-mail com as diretrizes finais. O pagamento corporativo é feito obrigatoriamente via transferência para uma conta (corrente ou poupança) de mesma titularidade (mesmo CNPJ) da empresa credora.
O tamanho do rombo: Atualização do caso Master
A liquidação do Banco Pleno é apenas uma fração do trabalho do FGC no caso Master. A entidade divulgou uma atualização impressionante sobre os pagamentos referentes às outras instituições do conglomerado:
- Bancos Master, Master de Investimento e Letsbank: O processo está na reta final. O FGC já pagou R$ 39 bilhões em garantias, o que equivale a 96% do valor total devido. Cerca de 689 mil investidores (89% dos credores) já foram ressarcidos.
- Will Bank: O FGC estima um passivo coberto de R$ 6,3 bilhões. A entidade ainda aguarda a lista oficial de credores para abrir os resgates gerais. No entanto, desde 13 de fevereiro, iniciou uma antecipação para clientes com saldos de até R$ 1.000 (via app do próprio Will Bank), já tendo pago R$ 124 milhões para mais de 1 milhão de pessoas.
- Banco Master Múltiplo: Liquidado em 17 de março, a instituição não possuía captação de depósitos elegíveis à cobertura, isentando o FGC de atuar neste CNPJ específico.
A agilidade do FGC na devolução de cifras que superam os R$ 40 bilhões testa e comprova a resiliência da rede de proteção do Sistema Financeiro Nacional (SFN) frente a eventos severos de crédito.
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