Guerra no Irã: Por que após 12 dias de conflito o mundo não é mais o mesmo?
Não será simples restabelecer o mito da imunidade às turbulências regionais ou a imagem reluzente de um "porto seguro". Mas também não será fácil para...
Não será simples restabelecer o mito da imunidade às turbulências regionais ou a imagem reluzente de um "porto seguro". Mas também não será fácil para o Irã escapar de um isolamento cada vez mais inevitável no mundo árabe.
O teste de Trump
Donald Trump busca um lugar na história. Não o lugar que cabe por direito aos presidentes americanos, especialmente em um segundo mandato, mas a marca deixada por figuras como Alexandre, o Grande, Napoleão ou Churchill. Após impor a trégua em Gaza e o rearranjo no regime venezuelano, sua preocupação central continua sendo a Ucrânia. E como a grandeza não se alimenta de guerras estagnadas, com o Irã ele elevou o nível do jogo. Agora, a questão é quando ele encerrará o conflito. A ideia é fazê-lo o quanto antes, reivindicando três resultados: a eliminação de Ali Khamenei (já confirmada), o desmantelamento do sistema de mísseis de longo alcance e a neutralização da "Bomba Islâmica". O risco de perseguir uma "mudança de regime" definitiva seria o desgaste da frente econômica interna. A subida da inflação americana às vésperas das eleições de Midterm poderia reescrever a história de Trump e não da forma que ele planeja.
O curto-circuito europeu
O conflito no Oriente Médio deixará marcas em uma Europa sem rumo. Nem com o Irã, nem com a América. No Velho Continente, consome-se uma crise institucional devido à interpretação ousada de Ursula von der Leyen sobre suas competências, que não incluem a política externa. Algumas iniciativas da presidente da Comissão indispuseram os países membros e a alta representação para segurança. A Europa tem vozes demais ou a voz errada. Quando a guerra der lugar à diplomacia, Bruxelas estará em uma encruzilhada: a irrelevância total ou uma nova fase constituinte.
A ressurreição de Netanyahy?
Se o conflito dificilmente liquidará a teocracia dos aiatolás, ele corre o risco de prorrogar outro poder: o de Benjamin Netanyahu. As eleições em Israel estão marcadas para 26 de outubro, mas é provável que Netanyahu as antecipe. O premiê, que deveria ter sido atropelado por investigações judiciais e pela falha de segurança de 7 de outubro, pode ressurgir das cinzas de Teerã como o líder que desferiu os golpes mais pesados contra os inimigos históricos de Israel. Além de Khamenei, ele eliminou as cúpulas do Hamas e do Hezbollah. Diferente de Trump, a guerra de Netanyahu não parece ter um prazo de validade rígido; para ele, é mais fácil cantar vitória.
O Impacto no Brasil: Fatos Importantes
A guerra, que já dura quase duas semanas, cruzou o Atlântico e atingiu diretamente a economia brasileira. Abaixo, os pontos cruciais para o cenário nacional:
- Choque no Petróleo e Diesel: O bloqueio parcial de petroleiros na região do conflito fez o barril de petróleo disparar no mercado internacional, voltando a operar acima dos US$ 100. Isso forçou o governo brasileiro a editar a para evitar uma explosão nos preços domésticos.
- Medida Provisória e Subsídios: Para conter o impacto na inflação e no bolso dos caminhoneiros, o governo federal anunciou uma redução de R$ 0,64 por litro de diesel, combinando a zeragem de impostos federais (PIS/Cofins) com uma subvenção direta a produtores e importadores.
- A "Fatura" Fiscal: Estima-se que esse alívio custará R$ 30 bilhões aos cofres públicos. Para compensar, foi instituído um imposto de 12% sobre a exportação de petróleo bruto, medida que visa manter parte da produção no mercado interno, mas que gera forte reação no setor de óleo e gás e no mercado financeiro.
- Risco de Desabastecimento: A MP também endurece as penas para postos que elevarem preços abusivamente ou recusarem o fornecimento de combustíveis, com multas que podem chegar a R$ 500 milhões.
O Brasil agora monitora se essas medidas serão curtas como o governo espera ou se o conflito no Irã exigirá um sacrifício econômico ainda maior e mais duradouro.
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