A cidade de 40 mil habitantes no Sul de Minas vira um balcão de negócios de nove dígitos em setembro, e o comércio local sente o efeito no caixa.
Santa Rita do Sapucaí (MG) se prepara para a maior semana do seu calendário econômico. De 3 a 7 de setembro, a cidade recebe a 10ª edição do HackTown, festival de inovação, tecnologia e negócios que a organização projeta movimentar mais de R$ 250 milhões em negócios gerados durante o evento.
O número impressiona ainda mais pelo contraste: são cerca de 40 mil moradores recebendo um público que, nas últimas edições, passou de 30 mil pessoas em poucos dias. Para uma cidade desse porte, o festival funciona como uma injeção sazonal de renda que reorganiza o comércio, a hotelaria e os serviços da região inteira.
Quanto dinheiro o HackTown realmente coloca na cidade?
Aqui vale separar dois números que costumam ser confundidos. Um é o volume de negócios fechados dentro do festival, ligado a startups, investidores e grandes empresas. Na edição de 2024, esse total ultrapassou R$ 370 milhões, e a projeção para 2026 gira em torno de R$ 250 milhões.
Outro, mais palpável para o morador, é o dinheiro que entra direto no comércio local. Estimativas das últimas edições apontam cerca de R$ 30 milhões movimentados a cada ano em bares, restaurantes, hotéis, transporte e serviços da cidade e do entorno.
É esse segundo número que enche o caixa do pequeno empreendedor de Santa Rita durante a semana do evento.
Hotéis lotados e cidades vizinhas na rota
Como a estrutura hoteleira da cidade-sede é limitada, o impacto transborda para os municípios próximos. Em 2025, a rede de hotéis de Pouso Alegre, a cerca de 25 km, chegou a 95% de ocupação por causa do festival.
Itajubá e outras cidades da microrregião também entram no fluxo, com transfers diários levando participantes até Santa Rita. Na prática, o HackTown deixou de ser um evento de uma cidade só e virou motor de turismo para todo o Sul de Minas naquela semana.
Some a isso o aluguel de imóveis por temporada, o comércio informal nas ruas e o movimento em cafés e restaurantes, e fica claro por que o setor de serviços trata a data como uma das mais importantes do ano.
Por que uma cidade pequena atrai gigantes da tecnologia
Santa Rita do Sapucaí não é um polo de inovação por acaso. Conhecida como "Vale da Eletrônica", a cidade abriga mais de 150 empresas de tecnologia e um ecossistema educacional que remonta às décadas de 1950 e 1960, com instituições como ETE, Inatel e FAI.
Esse histórico ajuda a explicar por que marcas como Google, Nubank, Uber, Meta, AWS, Claro e Tim já apareceram entre as patrocinadoras do festival. Para elas, o evento é uma vitrine qualificada e uma porta de entrada direta para startups e talentos.
A edição de 2026 espalha mais de mil atividades por mais de 110 espaços da cidade, entre praças, escolas, bares e casarões, reunindo cerca de 500 empresas entre corporações, startups e investidores.
Quanto custa participar
Para quem quer acompanhar de perto, os ingressos são vendidos em lotes pela plataforma oficial. Os valores divulgados incluem opções como:
- Passaporte promocional a partir de R$ 577, mediante doação de um livro em bom estado
- Ingresso inteiro em torno de R$ 957, com acesso à programação completa
- Meia-entrada a partir de R$ 488,50 para o público com direito ao benefício
Os preços sobem conforme os lotes se esgotam, o que costuma gerar corrida por ingresso nas semanas que antecedem o festival.
O que fica no radar
Nas próximas semanas, o HackTown deve confirmar novos nomes na lista de palestrantes e divulgar a grade completa de trilhas. Para o comércio de Santa Rita e das cidades vizinhas, o recado já está dado: setembro promete ser o mês mais movimentado do ano.
Se a projeção de R$ 250 milhões em negócios se confirmar, a 10ª edição pode consolidar de vez o apelido informal do evento como o "SXSW brasileiro", só que num vilarejo mineiro que insiste em provar que inovação e interior combinam.