analistas .com.br
Economia

Ibovespa sobe 2% e bate 176 mil após IPCA de junho surpreender

Ibovespa supera 176 mil pontos após IPCA de junho subir só 0,16%, abaixo do esperado. Mercado já aposta em corte da Selic em agosto. Veja os destaques.

EQ
Equipe Analistas Equipe Editorial
Publicado em: 10/07/2026
Ibovespa em Alta
© Rovena Rosa/Agência Brasil

A bolsa brasileira subiu mais de 2% nesta sexta-feira (10) e voltou ao maior patamar desde maio. O gatilho: o IPCA de junho veio bem abaixo do que o mercado esperava — e reacendeu apostas de corte de juros já em agosto.

O Ibovespa disparou nesta sexta-feira (10) e superou os 176 mil pontos pela primeira vez desde maio, impulsionado pela divulgação do IPCA de junho. Segundo apuração da Reuters, por volta das 10h50 o índice subia 2,08%, aos 176.338 pontos, acumulando ganho de 1,3% na semana, com volume financeiro de R$ 3,96 bilhões no pregão.

O motivo da euforia foi a inflação oficial: o IPCA divulgado pelo IBGE avançou apenas 0,16% em junho — a menor leitura mensal desde outubro —, depois de subir 0,58% em maio. O mercado esperava alta de 0,31%.

O que o IPCA de junho muda para a Selic?

Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses recuou de 4,72% para 4,64%. O número ainda está acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central, que é de 3% com tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo — ou seja, o limite é 4,5%.

Mesmo assim, o dado mais fraco que o previsto animou as apostas de afrouxamento monetário. De acordo com as informações obtidas pela Reuters, o economista Leonardo Costa, do ASA, vê chance crescente de o Copom cortar a Selic em 0,25 ponto percentual já na reunião de 4 e 5 de agosto — hoje a taxa está em 14,25% ao ano.

O próprio economista pondera, porém, que o alívio é moderado: as expectativas de inflação seguem desancoradas e a economia continua aquecida, o que limita o espaço para uma virada mais agressiva na política de juros.

Quais ações mais subiram com a notícia?

O recuo nas taxas futuras de juros beneficiou principalmente empresas sensíveis ao crédito e ao consumo:

  • Magazine Luiza (MGLU3): disparava 7,2%, maior alta do dia entre as gigantes do varejo;
  • CSN (CSNA3): avançava 4,58%, acompanhando o minério de ferro na China;
  • MRV (MRVE3): subia 4,84%, com o setor imobiliário ganhando 3,26%;
  • B3 (B3SA3): valorização de 3,45%, puxando o setor financeiro (+2,58%);
  • Itaú Unibanco (ITUB4): alta de 2,35%, em dia positivo para os bancos;
  • Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4): ganhos mais modestos, de 1,3% e 0,87%.

No exterior, o dia era de calmaria: o S&P 500 subia 0,16% em Wall Street e o petróleo Brent recuava 0,13%.

O que fica no radar

A atenção do mercado se volta agora para a reunião do Copom nos dias 4 e 5 de agosto. Um IPCA comportado fortalece a tese de início (ou retomada) dos cortes na Selic — mas, com a inflação ainda acima do teto da meta, o Banco Central deve calibrar o discurso com cautela. Até lá, cada indicador de atividade e de preços será lido como pista sobre o tamanho e o ritmo do afrouxamento.

Com informações da Reuters.

Comentários (0)

Nenhum comentário publicado ainda. Seja o primeiro a comentar!

Deixe um comentário