O IGP-10 subiu 1,76% em outubro de 2026, acima da alta de 1,47% registrada em setembro, informou a Fundação Getulio Vargas nesta segunda-feira, 19. A aceleração veio principalmente dos preços no atacado, com gasolina, soja e bovinos entre as maiores pressões, e reforça a atenção sobre a inflação em um período de juros ainda elevados no Brasil.
O índice acumula alta de 4,79% no ano e de 5,02% em 12 meses. Em outubro de 2025, a variação mensal havia sido de apenas 0,08%, com avanço de 1,60% em 12 meses. A comparação mostra que as pressões voltaram a ganhar força, mas o resultado precisa ser lido pelos três componentes do IGP-10: atacado, consumidor e construção.
Atacado foi o principal motor da alta
O Índice de Preços ao Produtor Amplo, que tem o maior peso no IGP-10, avançou 2,36% em outubro, após 1,90% em setembro. Os produtos industriais aceleraram de 1,48% para 2,49%, enquanto os agropecuários subiram 1,96%, abaixo dos 3,15% do mês anterior.
| Componente | Setembro | Outubro | Em 12 meses |
|---|---|---|---|
| IGP-10 | 1,47% | 1,76% | 5,02% |
| IPA, preços ao produtor | 1,90% | 2,36% | 5,03% |
| IPC, preços ao consumidor | 0,44% | 0,39% | 4,13% |
| INCC, custo da construção | 0,50% | 0,28% | 6,69% |
A gasolina automotiva subiu 16,03% no levantamento e apareceu entre as maiores influências positivas. Também pesaram soja em grão, com alta de 4,80%, farelo de soja, com 8,30%, bovinos, com 2,14%, e álcool etílico anidro, com 12,26%.
“A aceleração do IGP-10 em outubro foi puxada principalmente pelos preços ao produtor”, afirmou o economista Matheus Dias, do FGV IBRE.
Os movimentos no atacado não chegam automaticamente ao consumidor. Empresas podem absorver parte do aumento nas margens, negociar com fornecedores ou repassar apenas uma parcela. Ainda assim, uma sequência de altas em combustíveis e matérias-primas pode elevar custos de transporte, alimentos processados e produção industrial.
Alimentos frescos pressionaram o consumidor
O Índice de Preços ao Consumidor desacelerou de 0,44% para 0,39%. A média menor, porém, esconde uma aceleração importante em alimentação: o grupo passou de 0,03% em setembro para 1,09% em outubro.
Tomate subiu 25,21%, batata-inglesa avançou 19,38% e cebola teve alta de 13,81%. Passagem aérea também mudou de direção, saindo de queda de 10,02% em setembro para aumento de 6,01% em outubro. Esses itens podem variar bastante de um mês para outro por causa de clima, oferta, calendário e preços de combustíveis.
Na direção contrária, a tarifa de eletricidade residencial caiu 0,62%, depois de subir 7,01% no mês anterior. Banana-prata, mamão papaya e manga também ficaram mais baratos. Habitação desacelerou de 1,68% para 0,23%, e despesas diversas passaram de 2,11% para 0,06%.
Para a família, o efeito depende do padrão de consumo. Quem compra muitos alimentos frescos pode sentir uma pressão maior do que a média de 0,39%. Já a queda da energia pode aliviar parte do orçamento, especialmente em residências com consumo elevado.
Construção desacelera, mas acumula 6,69% em 12 meses
O Índice Nacional de Custo da Construção subiu 0,28% em outubro, abaixo dos 0,50% de setembro. Materiais e equipamentos passaram de 0,30% para 0,28%; serviços avançaram de 0,18% para 0,29%; e mão de obra desacelerou de 0,80% para 0,27%.
Mesmo com a perda de força no mês, o INCC acumula 6,69% em 12 meses, a maior taxa entre os três grandes componentes do IGP-10. Contratos de obras e alguns financiamentos podem usar índices da construção como referência, mas cada documento precisa ser conferido: não se deve aplicar o INCC automaticamente a qualquer imóvel ou reforma.
IGP-10 não é o mesmo que IPCA
O IGP-10 mede preços em diferentes etapas da economia e dá grande peso ao atacado. O IPCA, calculado pelo IBGE, acompanha o consumo das famílias e é a referência oficial para a meta de inflação do Banco Central. Por isso, os dois índices podem andar em ritmos diferentes.
O período de coleta do IGP-10 de outubro foi de 11 de setembro a 10 de outubro. Isso também explica por que ele não representa todos os preços praticados ao longo do mês corrente.
O avanço do atacado tampouco significa que toda a alta será repassada imediatamente ao consumidor. Empresas podem absorver parte do custo, negociar preços, usar estoques comprados anteriormente ou encontrar fornecedores alternativos. A velocidade do repasse depende da concorrência, da demanda e do peso de cada insumo no produto final. No caso dos combustíveis, por exemplo, também entram na conta tributos, mistura de biocombustíveis e margens de distribuição e revenda. Já os alimentos frescos costumam oscilar com clima, safra e oferta regional, o que pode produzir movimentos rápidos de alta e queda.
Para empresas, o indicador ajuda a acompanhar custos de insumos e contratos indexados. Para consumidores, a leitura mais útil é observar quais pressões podem chegar ao varejo e quais já estão sendo sentidas no orçamento. A próxima divulgação do IGP-10 está prevista para 16 de novembro.