INSS suspende novos créditos consignados do banco C6
Após CGU identificar venda casada em 320 mil contratos, INSS proíbe C6 Consig de oferecer novos empréstimos até devolução de R$ 300 milhões. Entenda o caso.
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) determinou a suspensão imediata da oferta de novos empréstimos consignados aos aposentados e pensionistas pelo C6 Consig, braço de crédito da holding N7, que também controla o C6 Bank. A decisão, publicada no Diário Oficial da União nesta terça-feira (17), exige que o banco devolva R$ 300 milhões cobrados indevidamente dos segurados. A punição ocorre após uma auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) identificar irregularidades em pelo menos 320 mil contratos. O órgão apontou a prática de "venda casada", onde o banco embutia seguros e pacotes de serviços diretamente nas parcelas dos empréstimos, reduzindo o valor líquido que efetivamente chegava às mãos dos aposentados.
A "venda casada" e o peso no bolso do aposentado
De acordo com os auditores, um dos principais achados foi a inclusão indevida de um seguro no valor de R$ 500, fornecido por uma seguradora parceira do banco. A conduta foi classificada pelo INSS como de "elevada gravidade", uma vez que atinge diretamente a renda de caráter alimentar dos beneficiários.
Tentativas de acordo frustradas
A suspensão do Acordo de Cooperação Técnica, assinada pelo presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, não ocorreu de forma abrupta. Entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, técnicos do instituto realizaram oito reuniões com representantes do C6 Consig. O objetivo era firmar um Termo de Compromisso para o saneamento das irregularidades. No entanto, as negociações restaram infrutíferas. Agora, a proibição de realizar novas averbações (registros de crédito) será mantida até que todos os valores cobrados indevidamente sejam restituídos aos prejudicados, com a devida correção monetária.
Crescimento bilionário e histórico no radar
O C6 Consig teve uma ascensão meteórica no mercado de crédito. Dados obtidos pela Lei de Acesso à Informação revelam que, entre 2020 e 2025, a carteira do banco saltou de modestos 514 clientes para impressionantes 3,3 milhões de consignados. Nesse período, a instituição faturou cerca de R$ 20 bilhões com o produto. Apesar do sucesso comercial, o banco já enfrentava questionamentos. Anteriormente, a instituição chegou a ser condenada judicialmente a indenizar segurados por descontos sem contratação prévia e precisou firmar um acordo com o Ministério Público Federal (MPF) para cessar fraudes nessas operações.
O que diz o C6
Em nota oficial, o C6 afirmou discordar integralmente da interpretação do INSS e declarou que buscará seus direitos na esfera judicial. O banco sustenta que não praticou qualquer irregularidade e que segue rigorosamente as normas vigentes. “O banco esclarece que a contratação do consignado nunca esteve condicionada à compra de nenhum outro produto e que não desconta parcelas mensais referentes à contratação de pacote de benefícios”, defendeu a instituição.
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