A Klabin registrou lucro líquido de R$ 393 milhões no terceiro trimestre de 2026, queda de 18% em relação ao mesmo período do ano passado. O balanço divulgado nesta quarta-feira (28) interessa a quem acompanha KLBN11 e as ações do setor de papel e celulose, porque mostrou receita maior, mas pressão sobre custos e margens.
Receita cresceu, mas Ebitda recuou
A receita líquida chegou a R$ 5,57 bilhões, avanço anual de 3%. O volume total vendido ficou praticamente estável, em 1,06 milhão de toneladas.
O Ebitda ajustado, indicador de geração operacional, caiu 12% e terminou o trimestre em R$ 1,86 bilhão. A margem Ebitda ajustada recuou seis pontos percentuais, para 33%.
| Indicador | 3º trimestre de 2026 | Variação anual |
|---|---|---|
| Receita líquida | R$ 5,57 bilhões | +3% |
| Ebitda ajustado | R$ 1,86 bilhão | -12% |
| Margem Ebitda ajustada | 33% | -6 pontos percentuais |
| Lucro líquido | R$ 393 milhões | -18% |
| Volume vendido | 1,06 milhão de toneladas | estável |
Custos subiram no trimestre
Segundo a companhia, o resultado foi afetado pela valorização do real frente ao dólar, pelo aumento de custos de insumos e fretes e pelas medidas preventivas adotadas para reduzir os efeitos do El Niño.
O custo caixa total por tonelada, incluindo paradas de manutenção, avançou 12%, para R$ 3.483. A Klabin atribuiu R$ 111 por tonelada às iniciativas relacionadas ao El Niño e R$ 66 por tonelada às pressões de insumos e logística causadas pelo cenário geopolítico.
A valorização do real também reduz, quando convertida para a moeda brasileira, parte da receita obtida em dólar. Esse efeito pesa sobre exportadoras mesmo quando os preços internacionais permanecem firmes.
Celulose e papéis tiveram comportamentos diferentes
As vendas de celulose cresceram 1%, para 403 mil toneladas. No segmento de papéis, o volume ficou perto da estabilidade, em 379 mil toneladas. O avanço das vendas de cartões ajudou a compensar o impacto da manutenção programada na unidade de Otacílio Costa.
Em embalagens, o volume caiu 3%, para 283 mil toneladas. A companhia informou que repasses de preços e contratos ajudaram a manter a receita do segmento estável.
O mercado interno respondeu por 65% da receita líquida e por 53% do volume vendido. O restante veio de exportações e operações ligadas ao mercado externo.
Dívida ficou praticamente estável
A dívida líquida encerrou setembro em R$ 23,98 bilhões, praticamente sem mudança em relação ao segundo trimestre. A alavancagem medida em dólares ficou em 3,3 vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado.
A Klabin também alongou vencimentos de contratos ligados ao Projeto Puma II. O prazo do A-Loan passou de 2032 para 2034, enquanto o B-Loan foi estendido de 2029 para 2033.
O que observar em KLBN11
O resultado mostrou capacidade de elevar receita mesmo com volume estável, mas a alta dos custos impediu que esse crescimento chegasse ao Ebitda e ao lucro.
Nos próximos trimestres, os principais pontos serão câmbio, preços da celulose, custos logísticos e evolução da alavancagem. A normalização dos gastos relacionados ao El Niño também será importante para medir a recuperação da margem.