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Lula: Alta da gasolina é culpa de quem tira 'proveito da desgraça' no Irã

Presidente critica repasse de custos dos combustíveis, defende autossuficiência do Brasil e aponta Rússia como beneficiada pelo conflito. Entenda o impacto.

EQ
Equipe Analistas Equipe Editorial
Publicado em: 19/03/2026
Lula: Alta da gasolina é culpa de quem tira 'proveito da desgraça' no Irã

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu o tom nesta quarta-feira (18) ao comentar a recente volatilidade nos preços dos combustíveis no Brasil. Inserindo o debate doméstico no contexto geopolítico global, Lula atribuiu as altas nas bombas a agentes do mercado que, segundo ele, gostam de "tirar proveito da desgraça" gerada pela guerra envolvendo o Irã. A declaração ocorreu durante a cerimônia de entrega do 3º Prêmio Mulheres das Águas, em Brasília. O discurso acende um alerta no mercado financeiro, pois sinaliza a insatisfação do Planalto com a dinâmica de repasse das cotações internacionais do petróleo para o consumidor final, tema sensível para os investidores da Petrobras (PETR3/PETR4).

"Proveito da desgraça" e a autossuficiência

Para ilustrar sua crítica à escalada de preços, o presidente traçou um paralelo com o comportamento do mercado durante a crise sanitária global. “Muita gente não aproveitou a Covid para ganhar dinheiro?”, questionou Lula. O mandatário voltou a defender que o Brasil possui capacidade de blindar seu mercado interno frente aos choques externos de oferta, afirmando que o país já alcançou a autossuficiência na produção de gasolina. O argumento baseia-se na ideia de que, produzindo o próprio combustível, a economia brasileira não precisaria ficar totalmente refém da paridade de importação imposta pelas flutuações do barril tipo Brent.

O tabuleiro geopolítico: Rússia como beneficiária

Lula também ofereceu sua leitura sobre os desdobramentos econômicos do conflito no Oriente Médio. Segundo o petista, o grande vencedor comercial dos ataques e da instabilidade no Irã é a Rússia. Com o fornecimento e a infraestrutura iraniana sob forte tensão (e risco de sanções mais severas do Ocidente), o presidente brasileiro destacou que os russos, que recentemente tiveram embargos flexibilizados para a venda de seu petróleo no mercado internacional, estão preenchendo a lacuna deixada pelo Irã, capitalizando sobre o cenário de guerra.

O que isso significa para o mercado?

Falhas de oferta no Oriente Médio tradicionalmente impulsionam o preço do barril de petróleo para cima, pressionando as distribuidoras e refinarias globais. Para o investidor local, a fala de Lula reforça a narrativa de que o governo federal atuará como um "amortecedor" ativo para evitar que choques externos contaminem a inflação (IPCA) doméstica, utilizando as estatais e a regulação para conter repasses agressivos na bomba.

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