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Política

Missão elege 2 de 500 candidatos na estreia; veja votos e gastos

Partido Missão elegeu Kim Kataguiri e Rafa Minato em sua estreia nacional. Veja votos, gastos declarados e o impacto da cláusula de desempenho.

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Por Fundador e Editor-chefe · Publicado em Revisado por Muniz
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Colagem editorial com urna eletrônica, centenas de candidaturas e duas cadeiras em destaque
O Partido Missão disputou sua primeira eleição nacional com 500 candidaturas e conquistou duas cadeiras. Imagem criada com inteligência artificial para o Analistas.

O Partido Missão terminou sua primeira eleição nacional com duas vitórias entre 500 candidaturas efetivamente em disputa. Os eleitos foram Kim Kataguiri, para a Câmara dos Deputados, e Rafa Minato, para a Assembleia Legislativa de São Paulo. O resultado mostra uma legenda que conseguiu projeção na disputa presidencial e votação expressiva em dois nomes, mas ainda não transformou a presença nacional em uma bancada espalhada pelo país.

A base de candidaturas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), organizada por cargo e situação de registro, aponta 524 pedidos apresentados pelo partido. Desses, 500 concorreram com registro deferido, ainda em julgamento ou sob recurso: 319 para deputado federal, 153 para deputado estadual ou distrital e 28 para os demais cargos, incluindo Presidência, governos e Senado. A diferença entre pedidos e candidaturas em disputa decorre de renúncias, indeferimentos e outras decisões da Justiça Eleitoral.

Os números completos do primeiro turno paulista e os eleitos no estado podem ser consultados na cobertura das Eleições 2026 em São Paulo do Analistas.

Quem foram os dois eleitos pelo Missão

Kim Kataguiri foi reeleito deputado federal por São Paulo com 520.071 votos, equivalentes a 2,19% dos votos válidos do estado. Foi a quarta maior votação entre os 70 deputados federais eleitos por São Paulo e a única cadeira conquistada pelo Missão na Câmara.

O resultado de 2026 foi o melhor desempenho nominal de Kim em três eleições. Ele havia sido eleito pelo DEM em 2018, com 465.310 votos, e reeleito pelo União Brasil em 2022, com 295.460. A passagem para o Missão ocorreu antes da disputa deste ano, quando a nova sigla passou a contar com um deputado federal em exercício.

Rafa Minato, nome de urna do economista Rafael Francisco Ferraz Minatogawa, foi eleito deputado estadual por São Paulo com 185.582 votos, ou 0,80% dos válidos. Ele teve a nona maior votação entre os 94 eleitos para a Assembleia Legislativa e foi o único nome do partido a conquistar uma cadeira estadual no país. Segundo o registro entregue ao TSE, Minato tinha 30 anos durante a eleição, declarou patrimônio de R$ 729,8 mil e disputou seu primeiro pleito.

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Quanto as campanhas declararam gastar

As prestações de contas disponíveis imediatamente após o primeiro turno ainda são parciais. Elas podem receber novas despesas, pagamentos e retificações até a entrega e o julgamento das contas finais. Por isso, os valores abaixo são uma fotografia do que havia sido informado ao TSE, e não o custo definitivo de toda a operação eleitoral do partido.

Na atualização de 4 de outubro, a campanha de Kim Kataguiri declarava R$ 496 mil em receitas e R$ 469,2 mil em despesas. O montante gasto correspondia a cerca de 15% do teto legal de R$ 3,18 milhões para uma candidatura a deputado federal em São Paulo. Em 2022, quando concorreu pelo União Brasil, Kim havia declarado despesas de R$ 1,62 milhão.

A campanha de Rafa Minato informava R$ 276,7 mil em receitas e R$ 250,3 mil em despesas contratadas na posição de 1º de outubro. O gasto equivalia a aproximadamente 20% do limite de R$ 1,27 milhão para deputado estadual em São Paulo. Entre os principais itens declarados estavam materiais impressos, correspondências, serviços advocatícios e impulsionamento de conteúdo.

Somadas, as despesas declaradas pelos dois eleitos chegavam a R$ 719,6 mil. Essa soma não representa o gasto total do Missão, porque exclui as outras 498 candidaturas, as contas dos diretórios e eventuais despesas compartilhadas.

Campanha de Renan Santos arrecadou R$ 2,69 milhões

Na corrida presidencial, Renan Santos terminou em quarto lugar, com 2.675.887 votos, ou 2,24% dos votos válidos. A candidatura declarou R$ 2,69 milhões em receitas e R$ 1,286 milhão em despesas contratadas na fotografia da base do TSE referente a 29 de setembro. Naquele registro, as despesas já apareciam como pagas e os recursos públicos destinados diretamente à conta presidencial estavam zerados.

Os maiores fornecedores declarados na campanha presidencial incluíam gráficas, serviços jurídicos, impulsionamento de conteúdo, viagens, contabilidade e produção de comunicação. O limite legal de R$ 88,94 milhões para uma campanha presidencial não deve ser confundido com dinheiro recebido: ele é apenas o teto que a candidatura poderia gastar no primeiro turno.

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Em divulgação própria, o Missão informou ter direito a R$ 3,307 milhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha em 2026. Esse valor é uma cota partidária e não equivale automaticamente a gasto realizado ou a repasse para Renan Santos. A comparação correta depende das contas finais do diretório e de cada candidatura.

Considerando apenas Renan, Kim e Minato, as despesas declaradas somavam cerca de R$ 2,01 milhões nas datas consultadas. Também aqui o número não pode ser apresentado como custo total da eleição do Missão, porque não reúne centenas de prestações de contas individuais ainda abertas.

Por que 500 candidaturas produziram só duas cadeiras

Deputados federais e estaduais são escolhidos pelo sistema proporcional. Primeiro, os votos nominais e de legenda definem quantas cadeiras cada partido ou federação conquista em um estado. Depois, as vagas são preenchidas pelos candidatos mais votados daquela lista, respeitadas as regras eleitorais.

O Missão concentrou seu melhor resultado em São Paulo. Na disputa federal, Kim recebeu 520 mil votos, enquanto os nomes seguintes da sigla ficaram bem abaixo: Ana Hering obteve 51.768, Victor Antoun teve 49.934 no Rio de Janeiro, Evandro Augusto somou 48.835 no Rio Grande do Sul e Guto Zacarias recebeu 41.423 em São Paulo. A dispersão territorial e a distância entre o principal nome e o restante das chapas dificultaram a conquista de cadeiras em outros estados.

Ter muitos candidatos, portanto, amplia a presença na urna, mas não garante representação. Para conquistar vagas, o partido precisa reunir votos suficientes para superar os quocientes e as demais regras do sistema em cada unidade da Federação.

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Missão não alcança a cláusula de desempenho

Com apenas um deputado federal eleito, o Missão também ficou abaixo da cláusula de desempenho prevista para a legislatura que começa em 2027. Em 2026, a regra exige ao menos 2,5% dos votos válidos nacionais para a Câmara, distribuídos por nove estados e com pelo menos 1,5% em cada um deles; a alternativa é eleger 13 deputados federais em nove estados.

A cláusula não cancela o mandato de Kim Kataguiri nem impede o funcionamento jurídico do partido. Seus efeitos recaem principalmente sobre o acesso futuro ao Fundo Partidário e ao tempo gratuito de propaganda no rádio e na televisão, além de consequências para a estrutura parlamentar. A legislação também permite que um deputado eleito por legenda que não alcançou a barreira migre para um partido que a tenha superado sem perder o mandato, embora isso não signifique que a troca ocorrerá.

A origem do partido e o que o resultado representa

O Missão nasceu de dirigentes ligados ao Movimento Brasil Livre (MBL), grupo criado em 2014 e que ganhou projeção nas mobilizações pelo impeachment da então presidente Dilma Rousseff. O partido obteve personalidade jurídica em outubro de 2023 e teve o registro aprovado por unanimidade pelo TSE em 4 de novembro de 2025.

Para atender ao requisito de caráter nacional, a legenda apresentou 577.999 apoios válidos, acima do mínimo legal, e comprovou diretórios em pelo menos nove unidades da Federação. Com o registro, tornou-se o 30º partido reconhecido pelo TSE e adotou o número 14.

O saldo da estreia é misto. De um lado, a sigla preservou uma cadeira federal, conquistou sua primeira vaga estadual e levou o candidato presidencial a 2,67 milhões de votos. De outro, a maioria das candidaturas não se aproximou de uma eleição, a bancada ficou restrita a São Paulo e a legenda não alcançou a cláusula de desempenho. A avaliação definitiva sobre custos e fontes de financiamento dependerá da prestação final de contas, enquanto o peso político do partido será testado pela atuação dos dois eleitos e pela reorganização para as próximas disputas.

Fontes da apuração: arquivos de candidaturas e resultados do Tribunal Superior Eleitoral; DivulgaCandContas; Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo; Câmara dos Deputados; dados consolidados do HubPolítico e do Demanda Brasil a partir das bases do TSE; critérios de distribuição do FEFC divulgados pelo Partido Missão; reportagem do Metrópoles publicada em 5 de outubro de 2026.

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Escrito por Fundador e Editor-chefe

Muniz é o fundador e editor-chefe do portal Analistas. Empreendedor digital e especialista em tecnologia voltada para o mercado financeiro, é o desenvolvedor por trás de plataformas de dados como o Ações Capital. Lidera a visão editorial e a infraestrutura tecnológica do Analistas, unindo entrega de cotações em tempo real e rigor analítico para democratizar a informação no mercado brasileiro.

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Esta matéria foi revisada por Muniz (Fundador e Editor-chefe).

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