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Economia

Oi divulga perda de R$ 36,4 bi; auditoria contesta balanço

Demonstrações de 2025 mostram queda de receita e reversão de ajustes da recuperação; PwC emite opinião adversa sobre a base contábil adotada pela empresa.

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Por Fundador e Editor-chefe · Publicado em Revisado por Muniz
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Colagem ilustrativa de torre de telecomunicações e documentos financeiros
Ilustração editorial gerada por IA / Analistas

A Oi divulgou prejuízo líquido consolidado de R$ 36,4 bilhões referente a 2025, revertendo o lucro de aproximadamente R$ 9,6 bilhões de 2024. As demonstrações foram apresentadas na noite de 7 de outubro de 2026 e receberam opinião adversa da PwC, que contestou a base contábil utilizada pela companhia em processo de falência.

A ressalva sobre a qualidade da informação é parte central da notícia, não uma observação secundária. Os valores são os apresentados pela empresa, mas não contam com uma opinião de auditoria favorável. Segundo a cobertura do Broadcast, a PwC entende que as demonstrações deveriam ter sido preparadas sob uma base de liquidação, e não de continuidade operacional.

O período do resultado também precisa ser separado da data da divulgação. Trata-se do exercício de 2025, apresentado em outubro de 2026. Não é uma perda registrada apenas neste mês nem um balanço completo das operações realizadas durante 2026.

A receita caiu e o resultado financeiro virou

A receita operacional líquida consolidada ficou em aproximadamente R$ 2,6 bilhões, ante R$ 3,18 bilhões no ano anterior, recuo de 18,3%. Já o resultado financeiro saiu de um saldo positivo de R$ 12,2 bilhões para um valor negativo de R$ 33,2 bilhões, conforme os números arredondados divulgados.

Indicador consolidado20242025
Resultado líquidoLucro de R$ 9,6 bilhõesPrejuízo de R$ 36,4 bilhões
Receita operacional líquidaR$ 3,18 bilhõesCerca de R$ 2,6 bilhões
Resultado financeiroPositivo em R$ 12,2 bilhõesNegativo em R$ 33,2 bilhões

Essas linhas medem coisas diferentes. Receita é o valor reconhecido pela atividade empresarial após as deduções correspondentes. Resultado financeiro incorpora despesas, receitas e ajustes de natureza financeira. O lucro ou prejuízo líquido reúne o efeito final das diversas linhas da demonstração de resultados.

Por isso, não seria correto comparar o prejuízo diretamente com o faturamento e concluir que todo o valor saiu do caixa para pagar despesas correntes. Parte importante da deterioração está ligada à contabilização das obrigações. Para avaliar pagamentos efetivos, é necessário analisar também a demonstração dos fluxos de caixa e as notas explicativas.

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Por que as dívidas pesaram no balanço

De acordo com o Broadcast, houve reversão de ajustes relacionados à novação de passivos prevista na recuperação judicial. O movimento atingiu empréstimos, financiamentos, fornecedores e obrigações com a Anatel, recompondo saldos nominais. Em 2024, a contabilização da reorganização das dívidas havia beneficiado o resultado.

Em termos gerais, a novação substitui uma obrigação por outra nas condições pactuadas. Alterações de prazo e valor podem mudar como o passivo aparece nos demonstrativos. Quando a base dessas condições deixa de produzir os efeitos anteriormente reconhecidos, a comparação entre exercícios pode sofrer uma forte virada contábil.

Isso não torna o prejuízo irrelevante: passivos maiores ou reconstituídos afetam a posição patrimonial e a avaliação da capacidade de pagamento. Apenas impede que o leitor trate o número como se fosse integralmente uma perda operacional de vendas de telefonia no ano.

O Investidor10 também destaca a redução das operações e a venda de ativos como contexto da queda do faturamento. A empresa que apresenta esse balanço já tem uma configuração diferente da operadora integrada que existia antes das alienações e da reorganização dos negócios.

O que significa a opinião adversa

A PwC afirmou que as demonstrações não retratam adequadamente a situação da companhia segundo as práticas aplicáveis a entidades em liquidação. O problema apontado envolve a premissa usada para preparar os números e seus reflexos sobre ativos e passivos.

Uma opinião adversa não equivale a uma aprovação acompanhada de um alerta genérico. É uma conclusão negativa do auditor sobre a apresentação das demonstrações. Também não deve ser convertida automaticamente em acusação de fraude: essa é uma conclusão diferente, que não pode ser presumida a partir do parecer contábil.

A divergência entre continuidade e liquidação importa porque altera a perspectiva usada para avaliar o negócio. Na continuidade, considera-se a operação ao longo do curso normal. Em uma liquidação, a realização dos ativos e o pagamento das obrigações precisam ser examinados sob outro contexto.

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Leitura do balanço: o prejuízo foi divulgado pela Oi, mas a auditoria contestou a adequação das demonstrações. As duas informações precisam ser consideradas juntas.

Essa combinação exige cautela com comparações simplificadas e com estimativas de valor feitas apenas a partir das linhas principais. Sem incorporar as observações do auditor, um resumo numérico deixaria de fora uma condição essencial da informação apresentada ao mercado.

Divulgação atrasada e continuidade provisória

Em agosto, a Forbes havia noticiado que a Oi ainda não tinha data para quatro conjuntos de demonstrações pendentes: o terceiro trimestre de 2025, o exercício anual de 2025 e os dois primeiros trimestres de 2026. Naquele momento, a companhia informou que atualizaria o mercado quando tivesse uma previsão mais clara.

A divulgação agora permite conhecer os números anuais apresentados, mas não apaga as dificuldades que motivaram o atraso. Segundo o Investidor10, a empresa descreveu agravamento de sua situação financeira e de liquidez em 2025, mesmo diante de iniciativas de redução de custos e venda de ativos.

O Broadcast informa que a Oi está em falência com continuação provisória de atividades, após confirmação pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro em agosto. Esse regime não permite concluir que todos os serviços foram encerrados imediatamente, nem anunciar uma data geral de desligamento a partir do balanço.

O caso também é diferente de uma recuperação ainda em execução, como a homologação do plano do GPA. A pesquisa sobre empresas em recuperação judicial no Brasil ajuda a contextualizar o tema, mas cada processo tem situação própria. Para a Oi, o acompanhamento depende dos atos judiciais, das informações da massa falida e das próximas demonstrações, sem presumir recuperação de valor ou pagamentos a credores.

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Escrito por Fundador e Editor-chefe

Muniz é o fundador e editor-chefe do portal Analistas. Empreendedor digital e especialista em tecnologia voltada para o mercado financeiro, é o desenvolvedor por trás de plataformas de dados como o Ações Capital. Lidera a visão editorial e a infraestrutura tecnológica do Analistas, unindo entrega de cotações em tempo real e rigor analítico para democratizar a informação no mercado brasileiro.

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Esta matéria foi revisada por Muniz (Fundador e Editor-chefe).

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