Quatro pesquisas divulgadas nesta segunda-feira, 19 de outubro, colocam Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Luiz Inácio Lula da Silva na disputa pelo segundo turno da eleição presidencial de 2026. Os resultados de PoderData, AtlasIntel, BTG/Nexus e Futura mostram diferenças entre 0,6 e 4 pontos percentuais nos votos válidos, a seis dias da votação. O conjunto confirma uma disputa apertada nas eleições, com impacto direto sobre a agenda de política e as expectativas para a economia brasileira.
Os números não são idênticos porque os institutos entrevistaram grupos diferentes, utilizaram métodos distintos e encerraram o trabalho de campo em datas próprias. A fotografia mais clara, portanto, não vem da escolha de uma pesquisa isolada, mas da comparação entre levantamentos realizados depois do primeiro turno e devidamente registrados na Justiça Eleitoral.
O que mostram as quatro pesquisas
Nos votos válidos, que excluem respostas em branco, nulas e indecisas conforme o cálculo de cada instituto, o PoderData registrou Flávio com 52% e Lula com 48%. A AtlasIntel apontou 51,1% a 48,9%. A BTG/Nexus encontrou 50,3% a 49,7%, enquanto a Futura mostrou 50,4% a 49,6%.
| Instituto | Flávio Bolsonaro | Lula | Diferença | Entrevistas |
|---|---|---|---|---|
| PoderData | 52,0% | 48,0% | 4,0 p.p. | 3.000 |
| AtlasIntel | 51,1% | 48,9% | 2,2 p.p. | 4.998 |
| BTG/Nexus | 50,3% | 49,7% | 0,6 p.p. | 2.002 |
| Futura | 50,4% | 49,6% | 0,8 p.p. | 2.000 |

O gráfico permite enxergar por que não é correto tratar todos os levantamentos como se mostrassem a mesma distância. Embora Flávio esteja numericamente na frente nos quatro, Nexus e Futura descrevem um quadro praticamente dividido ao meio. O PoderData apresenta a maior diferença, enquanto a AtlasIntel fica entre os dois extremos.
Margem de erro não transforma pesquisa em previsão
A margem de erro informada é de 1,8 ponto percentual no PoderData, um ponto na AtlasIntel, dois pontos na Nexus e 2,2 pontos na Futura. Ela expressa uma faixa de incerteza associada à amostra e ao modelo de cada instituto. Não deve ser somada de forma automática à intenção de um candidato nem usada para prever o resultado das urnas.
Também é importante não calcular uma média simples e apresentá-la como uma nova pesquisa. Cada estudo emprega critérios próprios de seleção e ponderação. O PoderData ouviu eleitores por telefone com sistema automatizado; a Nexus utilizou entrevistas telefônicas conduzidas por entrevistadores; a AtlasIntel adotou recrutamento digital aleatório; e a Futura realizou seu levantamento com metodologia própria informada no registro.
Pesquisa eleitoral mede a intenção declarada durante o período de coleta. Ela não antecipa comparecimento, mudança de voto na reta final nem eventuais efeitos dos últimos debates.
Os registros no TSE são BR-02586/2026 para o PoderData, BR-02418/2026 para a AtlasIntel, BR-04499/2026 para a Nexus e BR-06715/2026 para a Futura. O registro dá transparência a contratante, questionário, plano amostral e custos, mas não significa que a Justiça Eleitoral tenha aprovado ou certificado o resultado.
Votos totais mostram o espaço ainda disponível
Quando brancos, nulos e indecisos entram na conta, os percentuais diminuem. No PoderData, Flávio tem 49%, Lula 46%, brancos e nulos somam 4% e 2% não souberam responder; a soma passa de 100% por arredondamento. Na AtlasIntel, o placar é de 49,8% a 47,6%, com 2,6% entre branco, nulo e indecisão.
Na BTG/Nexus, Flávio aparece com 46,5% e Lula com 45,9%. Brancos e nulos representam 4,7%, enquanto 2,9% não souberam ou não responderam. A Futura registra 48,3% a 47,5%, além de 2,4% de ninguém, branco ou nulo e 1,9% de indecisos.
Essas parcelas são decisivas porque a eleição será definida pelos votos válidos efetivamente depositados no domingo. Uma pessoa que hoje declara voto em branco pode escolher um candidato; um entrevistado decidido pode não comparecer; e eleitores que não responderam podem se distribuir de maneira desigual.
Homens, mulheres e regiões votam de forma diferente
Os recortes do PoderData ajudam a entender onde cada candidatura encontra força. Flávio lidera entre homens por 57% a 40%, enquanto Lula vence entre mulheres por 51% a 42%. No Nordeste, Lula marca 61% e Flávio, 34%. No Sul, o resultado se inverte: 62% para Flávio e 32% para Lula.

O levantamento também aponta Flávio à frente no Centro-Oeste, por 60% a 36%, e no Sudeste, por 53% a 42%. No Norte, a diferença é pequena: 47% a 46%. Esses números são subdivisões de uma amostra nacional e, por isso, possuem incerteza maior do que o resultado total; eles indicam tendências, não placares estaduais.
Entre quem ganha até dois salários mínimos, Lula aparece com 50% e Flávio com 42%. Nas faixas superiores, o candidato do PL lidera. A divisão religiosa também é forte: Flávio tem 61% entre evangélicos, contra 33% de Lula; entre católicos, há equilíbrio, com 49% para Lula e 48% para Flávio.
Transferência de votos pode decidir a eleição
O PoderData mostra elevada fidelidade dos eleitores do primeiro turno: 95% de quem votou em Flávio diz continuar com ele, enquanto 94% dos eleitores de Lula permanecem com o presidente. A disputa, portanto, concentra-se nos votos de candidatos eliminados, em quem votou branco ou nulo e em quem não compareceu.
Entre eleitores de Augusto Cury, o instituto registra 56% para Flávio, 31% para Lula, 9% de branco ou nulo e 4% de indecisos. Entre os que votaram em Renan Santos, Flávio tem 36%, Lula 29% e branco ou nulo também 29%. No eleitorado de Ronaldo Caiado, o placar é de 46% a 19%, com 25% de branco ou nulo.
O tamanho de cada grupo e o comparecimento são tão importantes quanto os percentuais internos. Não basta saber para onde o voto declarado migrou: é necessário observar se esses eleitores irão às urnas e se manterão a decisão até 25 de outubro.
Próximas pesquisas serão o teste da tendência
O Datafolha tem uma nova rodada prevista para quinta-feira, 22, após ouvir 2.520 pessoas entre os dias 20 e 22. O levantamento terá margem de erro de dois pontos percentuais e registro BR-09709/2026. Como o campo começa depois das pesquisas divulgadas nesta segunda, poderá indicar se a vantagem numérica de Flávio se mantém, cresce ou diminui.
Até lá, a conclusão responsável é simples: os quatro levantamentos mais recentes colocam Flávio Bolsonaro numericamente à frente, mas mostram distâncias diferentes e uma eleição ainda competitiva. Pesquisa é fotografia do momento, não resultado antecipado. A confirmação virá apenas com a apuração oficial das urnas no domingo.