O Partido Liberal elegeu 121 deputados federais e terá a maior bancada da Câmara na legislatura que começa em 1º de fevereiro de 2027. O número representa 24 cadeiras a mais que as 97 conquistadas em 2022, segundo projeção da Agência Câmara baseada em 99,9% dos votos apurados, quando não havia possibilidade matemática de alteração.
A ampliação consolida o PL como principal força partidária da Casa. O resultado influenciará a escolha da presidência da Câmara, a distribuição de cargos nas comissões, o tempo de fala e a capacidade de negociar votações. Isso não significa aprovar propostas sozinho: a Câmara tem 513 integrantes, e a maioria absoluta corresponde a 257 votos.
A federação PT-PCdoB-PV aparece na segunda posição. Consolidações iniciais apresentaram ajustes entre o número da federação e a contagem isolada das siglas, motivo pelo qual comparações precisam usar o mesmo critério. A lista definitiva de diplomados e decisões judiciais ainda devem ser acompanhadas.
O que uma bancada de 121 permite
O tamanho das bancadas é usado para compor o Colégio de Líderes e repartir vagas em comissões. Um grupo numeroso pode indicar mais parlamentares e aumenta seu peso na pauta. A presidência da Câmara, porém, é decidida por eleição, e alianças continuam essenciais.
Projetos comuns costumam exigir maioria dos votos presentes, respeitado o quórum. Emendas constitucionais exigem 308 votos em dois turnos. Mesmo como maior bancada, o PL precisará negociar com partidos de centro e de direita.
A legenda também ampliou influência no Senado. O desempenho nas duas Casas fortalece a capacidade de pautar temas, convocar autoridades, participar de CPIs e disputar relatorias. A composição partidária não elimina divergências regionais.
Direita avança no Congresso
Análises iniciais apontam avanço dos partidos de direita. O PL teve o candidato a deputado mais votado em 11 das 27 unidades. Nikolas Ferreira, em Minas Gerais, e Lucas Pavanato, em São Paulo, superaram três milhões de votos cada.
O crescimento deve ser lido junto do sistema proporcional. Eleitores votam em candidatos ou legendas, e cadeiras são distribuídas de acordo com votos obtidos por partidos e federações em cada estado. Uma candidatura muito votada pode ajudar outros nomes da chapa.
Os resultados estaduais podem ser consultados em Eleições 2026. Não existe disputa nacional única para a Câmara: cada unidade constitui seu colégio para distribuir vagas.
Bancada feminina cresce
A Câmara informou que 109 mulheres foram eleitas, contra 90 na legislatura atual, alta de 21,1%. Elas ocuparão 21% das 513 cadeiras. A federação PT-PCdoB-PV elegeu 34 deputadas, a maior parcela da nova bancada feminina. Homens continuarão em 404 vagas.
A composição pode sofrer ajustes até a posse por registros, recontagens ou mudanças posteriores. O marco principal está definido: o PL saiu das urnas com 121 eleitos e inicia 2027 em posição privilegiada para comandar negociações.
Fontes da apuração: TSE; Agência Câmara; regras de funcionamento da Câmara; legislação eleitoral.
O que muda na relação com o Executivo
A maior bancada poderá aumentar o custo de negociação para qualquer presidente eleito. Se Flávio Bolsonaro vencer, o PL terá uma base inicial numerosa, mas ainda dependerá de aliados. Se Lula for reeleito, o governo enfrentará uma oposição organizada na maior bancada da Casa e precisará ampliar acordos com o centro.
A composição das frentes parlamentares também importa. Deputados podem votar de maneira distinta da orientação formal do partido em temas regionais, econômicos ou de costumes. Por isso, quantidade de cadeiras é indicador de força, mas não equivale a 121 votos automáticos em todas as matérias.