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Por que o Pix virou ameaça ao domínio financeiro dos EUA?

The Economist diz que ofensiva dos EUA contra o Pix expõe risco à hegemonia do dólar e de Visa e Mastercard nos pagamentos globais.

EQ
Equipe Analistas Equipe Editorial
Publicado em: 13/07/2026
Por que o Pix virou ameaça ao domínio financeiro dos EUA

A revista britânica The Economist colocou o Pix no centro do debate sobre o futuro da ordem financeira mundial. Para a publicação, a ofensiva de Washington contra o sistema brasileiro escancara uma disputa maior: quem vai controlar os pagamentos digitais do planeta.

O sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central voltou a ganhar destaque na imprensa internacional. Em reportagem publicada neste fim de semana, a The Economist avalia que a pressão dos Estados Unidos sobre o Pix é um dos sinais mais claros de uma fragmentação em curso na infraestrutura financeira global — historicamente dominada pelo dólar e por gigantes americanas como Visa e Mastercard.

A revista relembra que o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, acusou o Pix de prejudicar empresas americanas do setor de pagamentos, e que Washington chegou a propor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. No Brasil, a defesa do sistema uniu governo e oposição: o presidente Lula tratou o Pix como conquista nacional, enquanto o senador Flávio Bolsonaro também descartou abrir mão da ferramenta — sugerindo, no máximo, limitar futuras conexões internacionais.

Por que o Pix incomoda tanto os Estados Unidos?

Na leitura da Economist, o episódio marca uma nova fase da geopolítica financeira. À medida que os EUA usam seu peso econômico como arma diplomática, países dos mais variados espectros políticos passaram a buscar independência das plataformas controladas por Washington.

E o movimento já não se restringe a rivais tradicionais como Rússia e China:

  • Europa: o bloco opera a SEPA, área única de pagamentos em euros com 41 países, desenvolve a carteira digital Wero e planeja lançar o euro digital até o fim da década. A presidente do BCE, Christine Lagarde, defendeu que os europeus tenham os pagamentos digitais "sob seu controle".
  • China: ampliou o alcance internacional do yuan digital e reforçou o CIPS, sistema visto como alternativa à rede SWIFT. Em março, o CIPS movimentou um recorde de 920 bilhões de yuans por dia (cerca de US$ 134 bilhões), alta de 20% em um ano.
  • Índia: o UPI, plataforma de pagamentos por QR Code, já opera em nove países e avança por acordos bilaterais.

O Pix, segundo a revista, é uma das principais iniciativas capazes de inspirar sistemas semelhantes mundo afora. Para Eswar Prasad, professor da Universidade Cornell ouvido pela publicação, apostar na infraestrutura de pagamentos se tornou um caminho mais viável para a independência financeira do que tentar destronar o dólar.

Visa e Mastercard sentem a ameaça

O avanço dos sistemas soberanos pressiona diretamente as duas gigantes americanas dos cartões. Ambas já admitem em seus relatórios anuais que o favorecimento regulatório a plataformas domésticas é um risco relevante aos negócios.

Apesar de margens operacionais acima de 50% e resultados robustos, as ações de Visa e Mastercard perderam fôlego nos últimos 12 meses. Em resposta, as companhias intensificam investimentos: a Visa anunciou € 500 milhões em infraestrutura na Europa e fechou parceria com a chinesa UnionPay para pagamentos em tempo real, enquanto a Mastercard constrói três novos centros de dados na França.

O que fica no radar

A fragmentação, porém, tem custos. O Conselho de Estabilidade Financeira (FSB) alerta que a multiplicação de plataformas nacionais pode atrapalhar a meta do G20 de tornar pagamentos internacionais mais rápidos e baratos, além de elevar riscos de fraude e dificultar o monitoramento de fluxos globais. Um estudo patrocinado pela SWIFT estima que a tendência pode cortar até 2,6% do PIB mundial até 2030.

O paradoxo apontado pela Economist é que, ao pressionar parceiros comerciais como o Brasil, os próprios Estados Unidos podem acelerar a erosão da influência financeira que construíram ao longo de décadas. Para o Pix — que segue em expansão sob gestão do Banco Central —, o debate internacional só reforça seu status de vitrine global do Brasil.

Com informações da The Economist e do InfoMoney.

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