Refinarias independentes da China aumentaram as compras de petróleo do Iraque e do Catar para compensar a redução dos fluxos iranianos, segundo reportagem da Reuters de 6 de outubro. As entregas negociadas são para outubro e novembro.
Três operadores ouvidos pela agência relataram negócios de pelo menos 12 milhões de barris com tradings. As cargas foram negociadas com prêmios entre US$ 12 e aproximadamente US$ 20 por barril sobre o Brent, na modalidade de entrega ao comprador.
Mudança de fornecedor afeta o custo da refinaria
A maior parte dos volumes mencionados corresponde aos tipos iraquianos Basra Medium e Basra Heavy. Segundo a reportagem, a recomposição das exportações de outros produtores do Golfo pelo Estreito de Ormuz abriu alternativas em meio às perturbações de oferta relacionadas à guerra com o Irã.
A Kpler, citada pela Reuters, estimou que as importações chinesas de petróleo iraniano caíram para 590 mil barris por dia em setembro, quase metade do volume de um ano antes. São estimativas de fluxos, não números de produção total da China.
Prêmio não é o preço completo do barril
O diferencial sobre o Brent é apenas uma parte da formação do preço. A referência internacional, a qualidade da carga, o transporte e as condições de entrega também influenciam quanto o comprador efetivamente paga.
Da mesma forma, trocar uma origem por outra não significa que a refinaria passou a consumir mais petróleo. Pode ser uma substituição necessária para manter a atividade. Por isso, compras mais fortes de um fornecedor não devem ser interpretadas automaticamente como aceleração da demanda chinesa por combustíveis.
A margem de refino depende da relação entre o custo da matéria-prima e o valor dos produtos vendidos. Mesmo com disponibilidade de carga, a operação pode enfrentar pressão se o petróleo encarecer sem compensação equivalente nas receitas.
O reflexo no mercado global
Mudanças nas rotas redistribuem procura entre produtores, transportadores e negociadores. Para exportadores de petróleo, interessa acompanhar não apenas o volume total comprado pela China, mas também quais qualidades estão sendo substituídas e a que custo.
O processo ocorre em um mercado que ainda discute recomposição de estoques. A avaliação da Aramco sobre o tempo necessário para recuperar reservas globais oferece outro ângulo desse desequilíbrio.
As compras relatadas pela Reuters representam negócios identificados por suas fontes, não um censo completo de todas as refinarias independentes chinesas. O total efetivo pode ser diferente.
Fonte: Reuters, reportagem de 6 de outubro de 2026 publicada pelo MarketScreener, com dados da Kpler citados pela agência.