Renan Santos, candidato do Missão que terminou em quarto lugar, afirmou que não apoiará Lula nem Flávio Bolsonaro no segundo turno. O PSD, de Ronaldo Caiado, decidiu liberar diretórios estaduais, parlamentares e filiados para escolherem individualmente.
Os dois candidatos somaram cerca de 5,2 milhões de votos. Renan recebeu 2.675.887, ou 2,24% dos válidos, enquanto Caiado teve cerca de 2,60 milhões, ou 2,18%. Esse total supera a diferença aproximada de 2,22 milhões entre Flávio, com 47,03%, e Lula, com 45,16%.
A comparação dimensiona o peso potencial, mas não permite transferir votos automaticamente. Eleitores não obedecem necessariamente à orientação e parte pode optar por abstenção, branco ou nulo.
O que disse Renan
Em transmissão após a consolidação, Renan reiterou críticas aos finalistas e disse que seus apoiadores deveriam fazer o que quisessem. A declaração mantém posição adotada durante a campanha.
Não declarar apoio é diferente de orientar formalmente voto nulo. O candidato não apresentou resolução partidária com essa instrução e deixou a escolha aos eleitores. O Missão ainda pode divulgar posições institucionais, caso seus órgãos deliberem.
Renan afirmou considerar que Flávio já venceu. Essa frase é avaliação política, não resultado. O segundo turno ocorrerá em 25 de outubro e será decidido pelos votos apurados pelo TSE.
PSD opta por autonomia regional
Gilberto Kassab informou que a legenda não adotará orientação única. Segundo a nota, a diversidade das alianças estaduais torna natural preservar a liberdade local.
A decisão reflete a estrutura heterogênea do partido. O PSD participa de alianças distintas em governos, prefeituras e bancadas. Uma posição obrigatória poderia conflitar com disputas locais ou coalizões estabelecidas.
Caiado disse que conversaria com Kassab antes de se manifestar. A liberação não impede que ele anuncie preferência, mas retira a expectativa de que essa escolha vincule toda a legenda.
Por que apoios importam
Endossos podem oferecer palanques, militância, comunicação e eventos. Também ajudam candidaturas a alcançar segmentos de maior rejeição. O efeito varia conforme a credibilidade do apoiador.
No caso de Renan e Caiado, o interesse está nos mais de cinco milhões de votos e na localização deles. Uma análise depende dos resultados por município e estado, disponíveis em Eleições 2026, e não apenas da soma nacional.
Campanhas buscarão também eleitores de Augusto Cury e outras candidaturas. Além dos apoios, propostas, debates, propaganda e acontecimentos influenciarão a decisão.
Toda manifestação deve ser atribuída à pessoa ou instância que a fez: opinião de dirigente não representa todos os filiados, e liberação formal significa ausência de orientação nacional.
Fontes da apuração: Agência Brasil; TSE; pronunciamentos de Renan Santos, Ronaldo Caiado e Gilberto Kassab; notas partidárias.
Disputas estaduais influenciam a decisão
O PSD participa de segundos turnos para governos estaduais e pode apoiar candidatos presidenciais diferentes conforme a unidade da Federação. Essa autonomia permite preservar alianças locais, mas reduz a capacidade da direção nacional de negociar um apoio unificado em troca de compromissos programáticos.
O Missão, por sua vez, elegeu apenas dois representantes e não alcançou a cláusula de desempenho. A posição de Renan pode ajudar a preservar a identidade de oposição aos dois campos, embora também abra disputa interna sobre a orientação prática de seus eleitores.