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Política

Roberta Luchsinger diz à CNN que fará delação

Empresária relata ameaças, reage a falas de Lula e diz que pretende colaborar com a Justiça em caso que envolve Lulinha e o Careca do INSS.

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Por Fundador e Editor-chefe · Publicado em Revisado por Muniz
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Roberta Luchsinger conversa com Iuri Pitta e Débora Bergamasco durante entrevista à CNN Brasil em seu apartamento
Roberta Luchsinger durante entrevista concedida a Iuri Pitta e Débora Bergamasco. Foto: Reprodução/CNN Brasil

Assista ao vídeo

Transmissão oficial de CNN Brasil no YouTube.

Roberta Luchsinger afirmou à CNN Brasil neste sábado, 17 de outubro, que pretende fazer uma delação e disse receber ameaças de morte desde que passou a ser investigada no caso que apura fraudes no INSS. A empresária, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, também reagiu a declarações do presidente Lula e relatou reuniões que diz ter presenciado. As acusações feitas por ela ainda precisam ser comprovadas e não representam, por si só, conclusão sobre crime.

A entrevista foi gravada no apartamento de Luchsinger, em São Paulo, pelos jornalistas Iuri Pitta e Débora Bergamasco. Segundo a CNN, foi a primeira vez que ela falou à televisão desde o início das investigações. A transmissão oficial reuniu mais de 78 mil espectadores simultâneos no YouTube no momento em que esta reportagem foi apurada, além da audiência na TV e nas plataformas da emissora.

O que Roberta Luchsinger disse na entrevista

O trecho de maior repercussão foi a afirmação de que ela pretende procurar as autoridades para colaborar. Luchsinger também chamou Lula de “canalha” e “mau-caráter”, em resposta ao presidente, e vinculou o aumento das ameaças que afirma receber à exposição pública de seu nome.

“Todo santo dia eu sofro ameaça de morte”, afirmou Luchsinger à CNN.

Ela disse que as ameaças atingem também suas duas filhas e que as meninas passaram a enfrentar constrangimentos na escola. A reportagem não teve acesso a boletins de ocorrência, mensagens ou outros registros que permitam verificar de forma independente a origem e a autoria dessas ameaças.

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Luchsinger falou ainda sobre sua amizade com Lulinha, sobre a mudança dele para a Espanha e sobre contatos que diz ter testemunhado entre o filho do presidente e integrantes do governo. O conteúdo integral dessas declarações precisa ser confrontado com documentos, depoimentos e respostas dos citados antes de qualquer conclusão.

Dizer que fará delação não significa acordo fechado

A declaração de intenção não confirma que exista um acordo de colaboração premiada. Esse tipo de negociação depende do interesse das autoridades, da apresentação de informações relevantes e verificáveis, da participação da defesa e da análise judicial. Um relato sem provas ou sem elementos que possam ser confirmados não estabelece responsabilidade criminal de terceiros.

Até a publicação desta matéria, não havia anúncio público de acordo assinado por Luchsinger nem de homologação pela Justiça. Por isso, o termo correto é que ela disse pretender colaborar ou fazer delação — e não que uma delação já esteja em andamento ou tenha sido aceita.

Por que ela aparece na investigação do INSS

A Polícia Federal investiga a relação de Luchsinger com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e com Lulinha. Em depoimento prestado em maio, ela confirmou ter recebido pagamentos por serviços ligados ao mercado de cannabis medicinal e negou conhecer descontos indevidos em benefícios previdenciários.

Relatórios da investigação mencionados pela CNN apontam que a empresa RL Consultoria recebeu cerca de R$ 1,5 milhão de uma companhia ligada a Antunes. A empresária confirmou a prestação de serviços, mas negou ter repassado dinheiro a Lulinha. Também disse que apresentou Antunes ao filho do presidente em um encontro social.

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Em outra frente, a PF analisa mensagens para saber se Luchsinger tentou obter contratos ou abrir portas no governo. Um relatório citado pela CNN registrou que, até aquele momento, não havia sido confirmado ato de ofício que sustentasse o provável crime investigado. A Procuradoria-Geral da República também apontou ausência de evidência de negócio fechado por Antunes com o governo, sem descartar a apuração de eventual delito.

Essa diferença é central: conversas, proximidade política e tentativa de aproximação podem orientar uma investigação, mas não provam que houve contrato irregular, pagamento de propina ou uso efetivo de influência. Não há condenação de Luchsinger ou de Lulinha por esses fatos.

O que Lula e a defesa de Lulinha já disseram

Lula afirmou anteriormente que não conhece Luchsinger e que pode ter tirado uma fotografia com ela como faz com muitas pessoas. Em entrevista ao Flow Podcast, o presidente a chamou de “pilantra” e comparou o caso ao do banqueiro Daniel Vorcaro. Foi a essas falas que a empresária respondeu na CNN.

Ao comentar investigações envolvendo o filho, Lula declarou que a Polícia Federal tem liberdade para apurar e que, “se tiver alguma coisa, vai pagar o preço”. O presidente não apresentou, nessa fala, uma conclusão sobre a conduta de Lulinha.

A defesa de Lulinha já afirmou que Luchsinger não tinha autorização para representá-lo e negou que ele tenha mantido com ela sociedade voltada a negócios no governo. Também informou que a proximidade dela era principalmente com a mulher de Fábio Luís. Essas versões entram em conflito com partes do relato da empresária e deverão ser examinadas pelas autoridades.

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Quem é Roberta Luchsinger

Roberta Luchsinger tem 41 anos, atuou como empresária e lobista e foi candidata a deputada estadual em São Paulo pelo PT em 2018, sem se eleger. Ela é neta de um ex-acionista do Credit Suisse e ganhou visibilidade pública por sua proximidade com integrantes do partido e com a família de Lulinha.

Desde dezembro, ela cumpre medidas cautelares impostas no curso da investigação. A existência dessas medidas não equivale a condenação. O inquérito busca esclarecer pagamentos, contatos e possíveis tentativas de influência relacionados a negócios atribuídos ao grupo investigado.

Por que a entrevista ganhou repercussão

A combinação de uma acusação direta ao presidente, a promessa de colaboração com a Justiça e a proximidade declarada com Lulinha levou o assunto rapidamente às redes sociais. A entrevista ocorreu a oito dias do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro, o que ampliou seu impacto político.

O calendário eleitoral, porém, não muda o padrão de prova. Trechos curtos podem circular sem as perguntas, as ressalvas e as respostas completas. O que avançar juridicamente deverá ser medido por documentos, depoimentos corroborados e decisões oficiais, não pelo volume de compartilhamentos.

Como assistir à entrevista completa da CNN

A íntegra está disponível no player exibido no início desta matéria. O vídeo foi incorporado diretamente do canal verificado da CNN Brasil no YouTube, sem cortes de terceiros.

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Escrito por Fundador e Editor-chefe

Muniz é o fundador e editor-chefe do portal Analistas. Empreendedor digital e especialista em tecnologia voltada para o mercado financeiro, é o desenvolvedor por trás de plataformas de dados como o Ações Capital. Lidera a visão editorial e a infraestrutura tecnológica do Analistas, unindo entrega de cotações em tempo real e rigor analítico para democratizar a informação no mercado brasileiro.

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Esta matéria foi revisada por Muniz (Fundador e Editor-chefe).

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