O setor de serviços voltou a crescer na economia brasileira em agosto, mas o avanço foi pequeno e não impediu que a atividade privada permanecesse em contração. O PMI de serviços subiu de 49,7 pontos em julho para 50,5, segundo a pesquisa divulgada nesta quinta-feira, 3 de setembro.
No indicador, resultados acima de 50 representam expansão da atividade em relação ao mês anterior; leituras abaixo desse nível indicam retração. A passagem para 50,5 mostra uma retomada marginal depois da primeira queda do setor desde outubro de 2025.
Novos negócios param de cair
As empresas que relataram crescimento atribuíram o desempenho à ampliação da base de clientes e à conquista de novos contratos. O volume agregado de novos negócios ficou próximo da estabilidade, após julho registrar a queda mais acentuada em dez meses.
O mercado de trabalho do setor também se estabilizou. Parte das empresas contratou para preencher vagas ou substituir funcionários, enquanto outras continuaram reduzindo equipes em programas de reestruturação e controle de custos.
Confiança melhora, mas crescimento continua tímido
A parcela de prestadores de serviços que espera aumento da atividade nos próximos 12 meses passou de 29% para 32%. A confiança alcançou o maior nível em três meses, apoiada por expectativas de melhora econômica.
Apesar disso, o ritmo de expansão foi classificado como marginal. Cancelamentos de projetos, competição e inflação ainda limitaram as encomendas, mostrando que a volta ao crescimento não representa uma aceleração forte da economia.
Custos continuam pressionando preços
Os custos de insumos permaneceram em alta acentuada, embora em ritmo menor que o de julho. As empresas citaram encarecimento de energia, combustíveis, mão de obra, financiamento, transporte e diferentes materiais utilizados na prestação dos serviços.
Para proteger margens, parte dos fornecedores aumentou seus preços de venda. A pesquisa mostra, porém, que 16% das empresas elevaram preços, enquanto 41% relataram aumento de custos, sinal de que nem toda pressão foi repassada ao consumidor.
Por que o setor privado ainda aparece em contração
O PMI composto, que reúne serviços e indústria, avançou de 48,8 para 49,1 pontos, mas continuou abaixo de 50 pelo segundo mês consecutivo. A fraqueza da indústria de transformação compensou o pequeno crescimento dos serviços.
O resultado apresenta uma economia dividida: os serviços voltaram a sustentar a atividade, enquanto a indústria e os investimentos permanecem pressionados. Os próximos indicadores oficiais ajudarão a mostrar se a melhora de agosto ganhou força ou foi apenas uma estabilização temporária.