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Economia

Split payment: imposto será cobrado na hora da compra a partir de 2027

Split payment será 170 vezes maior que o Pix e vai separar o imposto na hora da compra. Veja o que muda para empresas e consumidores a partir de 2027.

EQ
Equipe Analistas Equipe Editorial
Publicado em: 10/07/2026
Ilustração em estilo colagem mostrando pagamento por aproximação com cartão em uma maquininha, gráficos financeiros, moedas e prédio do Ministério da Fazenda, representando mudanças nas regras de divisão de pagamentos.

O governo constrói a maior plataforma de arrecadação da história do país: o split payment vai separar o imposto no momento exato da compra. O Ministério da Fazenda já gastou R$ 2 bilhões só neste ano no desenvolvimento.

O Brasil está montando uma máquina de arrecadar impostos que promete ser 170 vezes maior que o Pix. É o split payment ("pagamento dividido"), peça central da Reforma Tributária que começa a valer na prática a partir de 2027. Segundo reportagem de O Globo, o sistema deverá processar cerca de 70 bilhões de documentos fiscais por ano — para comparar, o Pix realiza hoje na casa de 300 milhões de operações por dia.

A ideia é direta: quando o consumidor pagar uma compra — no cartão, no Pix ou no boleto —, a fatia correspondente aos novos tributos (CBS e IBS) será separada automaticamente e enviada em tempo real para a União, os estados e os municípios. A empresa deixa de ser intermediária do recolhimento, o que fecha a porta para a sonegação.

Por que o sistema é tão maior que o Pix?

A comparação impressiona, mas os dois sistemas fazem coisas diferentes. O Pix apenas liquida pagamentos. O split payment terá que cruzar, em cada transação: o pagamento, a nota fiscal, o produto ou serviço vendido, comprador, vendedor, créditos e débitos tributários e ainda a repartição da receita entre os três níveis de governo.

De acordo com as informações de O Globo, o próprio Fisco subestimou o tamanho do desafio: a projeção inicial era de uma plataforma 150 vezes maior que o Pix, revisada depois para 170 vezes. O ministro-executivo da Fazenda, Dario Durigan, classificou o desenho do sistema como hipercomplexo e disse que o governo faz um trabalho intenso de pactuação com estados e municípios para evitar ruído federativo.

Para bancar a engrenagem, a Fazenda deve desembolsar R$ 2 bilhões apenas em 2026 no desenvolvimento da tecnologia.

O que muda para empresas e consumidores?

A promessa do governo é concentrar toda a complexidade no "motor" do sistema e entregar simplicidade na ponta. Entre os pontos já definidos:

  • Nota fiscal em um clique: a Receita Federal pretende entregar a nota praticamente pronta ao pequeno empreendedor, sem cálculos manuais;
  • Sistema único de emissão: fim da burocracia separada com União, estados e municípios;
  • Restituição em até 90 dias: crédito tributário das empresas devolvido em prazo definido, melhorando o fluxo de caixa;
  • Cashback tributário: devolução de parte dos impostos para famílias de baixa renda inscritas no CadÚnico;
  • Calculadora oficial antierro: alertas ao contribuinte antes de qualquer autuação por erro de classificação.

O cronograma acompanha a transição da Reforma Tributária: 2026 funciona como ano-teste, com alíquota simbólica e sem punição a contribuintes em ajuste. A partir de 2027, PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS começam a dar lugar à CBS e ao IBS, num processo que vai até 2033.

O que fica no radar

A documentação técnica da plataforma foi publicada em junho — e é a partir dela que empresas, bancos e fintechs começam a dimensionar o impacto real em contratos, sistemas e gestão de caixa. Os próximos meses serão decisivos para saber se a infraestrutura ficará pronta no prazo e se a promessa de simplicidade vai se confirmar quando os primeiros pagamentos "fatiados" começarem a rodar em escala nacional.

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