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Superquarta: Copom deve cortar Selic para 14,75% sob sombra do Fed

O mercado financeiro volta as atenções para a Superquarta. Entenda por que o Brasil deve iniciar o corte de juros enquanto os EUA prolongam a cautela.

EQ
Equipe Analistas Equipe Editorial
Publicado em: 18/03/2026
Superquarta: Copom deve cortar Selic para 14,75% sob sombra do Fed

O mercado financeiro global vive nesta quarta-feira (18) mais uma aguardada "Superquarta", dia em que os bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos definem, simultaneamente, os rumos de suas taxas básicas de juros. O cenário aponta para direções opostas: enquanto o Brasil se prepara para um afrouxamento monetário, os EUA devem manter a postura defensiva. No cenário doméstico, a expectativa predominante, refletida no mais recente Boletim Focus, é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) anuncie um corte de 0,25 ponto percentual. O movimento deve reduzir a taxa Selic de 15% para 14,75% ao ano, encerrando um ciclo de cinco reuniões consecutivas de manutenção no maior patamar desde julho de 2006.

Brasil: Corte gradual em meio a riscos no radar

Embora a economia brasileira dê sinais de necessidade de estímulos, o Banco Central deve optar por um passo inicial cauteloso. A avaliação do Banco Safra é de que o cenário ainda exige prudência devido à volatilidade recente nos preços das commodities (com destaque para o petróleo) e ao ligeiro aumento nas expectativas de inflação de médio prazo. A política monetária restritiva já deixou marcas evidentes na economia real:

  • O consumo das famílias estagnou no segundo semestre de 2025, espremido pelo endividamento;
  • Os investimentos das empresas recuaram 3,4% no mesmo período, reflexo do alto custo de capital.

Apesar desse freio, há indícios de uma recuperação moderada no início de 2026, impulsionada por fatores como a desoneração do Imposto de Renda. O Safra projeta um crescimento do PIB de 1,7% neste ano.

A inflação está sob controle?

Para o Safra, a pressão atual gerada pelo petróleo tende a ser um choque temporário de oferta. As simulações do Banco Central mostram que, mesmo com os impactos climáticos do El Niño, o IPCA acumulado deve convergir para 3,6% no terceiro trimestre de 2027 — confortavelmente dentro da meta. Isso dá respaldo técnico para que o Copom inicie os cortes agora.

Estados Unidos: Fed prolonga a cautela

Se no Brasil o clima é de alívio incipiente, nos Estados Unidos a ordem é esperar. O Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) deve decidir pela manutenção dos juros no intervalo de 3,50% a 3,75% ao ano. A resiliência surpreendente do mercado de trabalho americano, combinada com uma inflação que ainda resiste a ceder em setores-chave, retira o espaço para cortes no curto prazo. Essa postura do Federal Reserve é observada com lupa no Brasil, pois o diferencial de juros entre os dois países é a principal variável que dita o fluxo de dólares e a taxa de câmbio em mercados emergentes.

O peso da Superquarta nos seus investimentos

Eventos de Superquarta são conhecidos por injetar volatilidade na bolsa e no câmbio. Como o Copom se reúne a cada 45 dias e o Fed cerca de oito vezes ao ano, o alinhamento desses calendários obriga os investidores a interpretarem as decisões de forma conjunta. Para o investidor local, a mensagem de hoje será clara: o início do ciclo de cortes no Brasil é uma excelente notícia para a economia doméstica, mas a velocidade e a profundidade dessas quedas estarão fortemente limitadas pelo teto imposto pelo cenário internacional e pela força da economia americana.

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