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Política

TSE manda retirar 20 postagens apontadas como deepfakes

Decisão de Kassio Nunes Marques determina a remoção de 20 publicações atribuídas a uma ação coordenada contra Lula na reta final presidencial de 2026.

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Por Fundador e Editor-chefe · Publicado em Revisado por Muniz
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Colagem editorial com urna eletrônica, celular, rosto fragmentado por inteligência artificial e martelo da Justiça
Decisão do TSE alcança publicações questionadas por possível uso de conteúdo manipulado. Imagem: Analistas/IA

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, determinou na quarta-feira, 21 de outubro, a retirada de 20 postagens apontadas pela campanha de Lula como conteúdo artificial e ilegal. A decisão alcança publicações de Flávio Bolsonaro e de três deputados aliados na reta final das eleições de 2026, ampliando a atuação da Justiça Eleitoral contra desinformação produzida ou distribuída nas redes sociais.

O que o TSE determinou

Nunes Marques atendeu a um pedido apresentado pela campanha de Luiz Inácio Lula da Silva. A representação alegou que parlamentares ligados à candidatura de Flávio Bolsonaro participavam de uma ação coordenada para compartilhar deepfakes e outros conteúdos capazes de prejudicar o candidato à reeleição.

A ordem alcança publicações atribuídas a Flávio Bolsonaro e aos deputados federais Gustavo Gayer, Mario Frias e Gilvan da Federal. Além da retirada do material indicado, a decisão proíbe que as mensagens sejam publicadas novamente.

InformaçãoAlcance da decisão
Postagens com retirada determinada20
Perfis citados na ação32
Alcance conjunto informado1,4 milhão de seguidores
Total de publicações dos perfis23,8 mil

Os números de seguidores e publicações descrevem os perfis mencionados pela campanha e não significam que todos os conteúdos dessas contas sejam irregulares. A decisão é dirigida ao material analisado no processo.

Por que a campanha procurou a Justiça

A campanha de Lula argumentou que contas anônimas e perfis de apoiadores estavam criando a impressão de uma rejeição generalizada ao presidente por meio de peças artificiais. O pedido apontou possível uso de inteligência artificial para fabricar ou alterar imagens e mensagens.

Deepfake é um conteúdo sintético capaz de reproduzir ou modificar rosto, voz e movimentos de uma pessoa. A tecnologia pode ser usada de forma legítima, mas, em uma eleição, a manipulação sem identificação pode induzir o eleitor a acreditar que uma fala ou uma cena verdadeira existiu.

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A remoção cautelar não equivale a uma condenação penal dos autores. Trata-se de uma medida eleitoral destinada a interromper a circulação de conteúdos que, na avaliação apresentada ao tribunal, poderiam produzir dano durante um período em que a resposta posterior teria pouco efeito.

Regras exigem identificação do uso de IA

O TSE estabelece que conteúdos políticos ou eleitorais fabricados ou manipulados com inteligência artificial sejam identificados de maneira “expressa, destacada e acessível”. A ausência do aviso pode justificar a retirada, mesmo quando a peça tem aparência caricatural.

No início de outubro, o plenário do tribunal já havia determinado, por unanimidade, a remoção de três publicações feitas por Flávio Bolsonaro na rede X. Uma delas simulava Lula em uma situação inexistente e, segundo o relator, não apresentava a identificação obrigatória do uso de IA.

As outras duas peças daquele processo associavam Lula a organizações criminosas. O tribunal entendeu que a vinculação sem base factual mínima ultrapassava os limites da crítica política. Flávio também foi proibido de voltar a difundir os materiais analisados ou conteúdos substancialmente iguais.

Nem toda montagem é automaticamente proibida

A legislação eleitoral não proíbe todo uso de inteligência artificial. Uma campanha pode empregar recursos sintéticos, desde que respeite as regras de transparência e não utilize a tecnologia para enganar o eleitor, fabricar apoio, atacar adversários com fatos falsos ou esconder a origem do conteúdo.

Também é necessário diferenciar sátira, opinião, erro factual e deepfake. A classificação depende do material, da forma de apresentação, do contexto e da capacidade de confundir o público. Por isso, a decisão judicial deve ser lida pelo conteúdo específico que foi questionado, e não como autorização para retirar qualquer crítica política.

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TSE tenta reduzir conflitos antes do segundo turno

O segundo turno será realizado no domingo, 25 de outubro. Na semana anterior, Nunes Marques e os ministros responsáveis pela propaganda eleitoral se reuniram com representantes jurídicos das campanhas de Lula e Flávio.

O encontro discutiu desinformação contra a Justiça Eleitoral, uso indevido de imagem e voz por inteligência artificial e aumento da judicialização. O presidente do TSE pediu que as campanhas ajudassem a conter ataques às instituições e evitassem confrontos no dia da votação.

A proximidade do pleito aumenta o risco de conteúdos falsos causarem impacto antes de uma checagem alcançar o mesmo público. Uma publicação pode circular por grupos, canais e contas copiadas mesmo depois de ser retirada da origem, o que torna a identificação rápida e a proibição de republicação partes centrais da resposta.

Como o eleitor pode verificar um conteúdo

Vídeos com cortes bruscos, sincronização estranha entre voz e boca, iluminação inconsistente ou fonte desconhecida exigem cautela. Esses sinais ajudam, mas não provam sozinhos que houve manipulação, porque ferramentas atuais conseguem produzir materiais com poucos defeitos visíveis.

O caminho mais seguro é procurar a gravação completa em canais oficiais, comparar a fala com veículos diferentes e verificar se o conteúdo traz identificação do uso de IA. Mensagens que pressionam por compartilhamento imediato ou não apresentam data e contexto merecem atenção redobrada.

A decisão sobre as 20 postagens reforça uma orientação prática para os últimos dias da campanha: alcance elevado não transforma uma montagem em fato. Antes de compartilhar, o eleitor deve confirmar a origem e procurar o pronunciamento integral.

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Escrito por Fundador e Editor-chefe

Muniz é o fundador e editor-chefe do portal Analistas. Empreendedor digital e especialista em tecnologia voltada para o mercado financeiro, é o desenvolvedor por trás de plataformas de dados como o Ações Capital. Lidera a visão editorial e a infraestrutura tecnológica do Analistas, unindo entrega de cotações em tempo real e rigor analítico para democratizar a informação no mercado brasileiro.

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Esta matéria foi revisada por Muniz (Fundador e Editor-chefe).

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