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Dólar hoje recua, mas 'paz frágil' no Irã e petróleo a US$ 98 acendem alerta

A cotação do dólar abriu em leve queda nesta quinta (9). No entanto, o risco de choque no petróleo e a inflação nos EUA (PCE) travam o alívio do mercado.

EQ
Equipe Analistas Analista Colaborador
Publicado em: 09 de abril de 2026 às 21:28
Dólar hoje recua, mas 'paz frágil' no Irã e petróleo a US$ 98 acendem alerta

O mercado de câmbio abriu esta quinta-feira (9) em compasso de espera cauteloso. A cotação do iniciou o pregão com uma leve baixa de 0,07%, negociado a R$ 5,0982. O movimento reflete a tentativa dos investidores de precificar o recuo da moeda na véspera (quando caiu 1,01%) e o forte avanço do Ibovespa, que fechou aos 192.201 pontos.

No entanto, a tela vermelha nas bolsas globais e o nervosismo nas mesas de operação indicam que a tranquilidade está longe de ser alcançada. O alívio momentâneo repousa sobre um frágil cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, um acordo que já dá sinais de desgaste.

A Ilusão da Paz e o Choque do Petróleo

A leitura predominante em Wall Street e na Faria Lima é de vigilância extrema. A trégua no Oriente Médio já é questionada por relatos de novas violações: Teerã denunciou ataques a ilhas iranianas e ofensivas de Israel no Líbano, enquanto Arábia Saudita e Kuwait relataram ataques com drones atribuídos ao Irã.

O resultado imediato dessa instabilidade é o prêmio de risco injetado diretamente nos contratos de energia. O temor de um bloqueio definitivo no Estreito de Ormuz — rota vital para a circulação internacional da commodity — fez os preços dispararem.

Efeito Dominó: Ásia no vermelho e o radar nos EUA

O clima de aversão ao risco contaminou as praças financeiras asiáticas nesta madrugada, mostrando que o investidor estrangeiro não está disposto a comprar risco no "piloto automático". Os principais índices fecharam em queda livre:

  • Xangai (China): -0,72%
  • Nikkei (Japão): -0,73%
  • Hang Seng (Hong Kong): -0,54%
  • Kospi (Coreia do Sul): -1,61%

Para definir de vez o rumo do dólar frente ao real nesta quinta-feira, os investidores desviam os olhos do Oriente Médio e focam nos Estados Unidos. A agenda econômica americana traz hoje a divulgação do deflator do PCE (Índice de Preços para Despesas de Consumo Pessoal).

Sendo o indicador de inflação favorito do Federal Reserve (Fed), o PCE ditará o ritmo dos juros americanos. Se a inflação se mostrar resistente (ainda mais com a pressão do petróleo), a expectativa de juros altos por mais tempo ganhará força, o que inevitavelmente voltará a fortalecer o dólar em escala global, engolindo a leve queda vista na abertura de hoje.

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