David Vélez, fundador do Nubank, foi nomeado nesta terça para o conselho da OpenAI, ao lado do CEO do BNY. A dona do ChatGPT reforça a governança às vésperas de um IPO que pode ser o maior da história. E há um brasileiro no centro dessa mesa.
A OpenAI, criadora do ChatGPT, anunciou nesta terça-feira (21) a chegada de David Vélez, fundador e CEO global do Nubank, ao seu conselho de administração. Ele foi nomeado ao lado de Robin Vince, presidente-executivo do banco americano BNY Mellon. Os dois vão integrar os conselhos das duas estruturas da empresa: a OpenAI Foundation, o braço sem fins lucrativos que controla o grupo, e a OpenAI Group PBC, o braço comercial.
Para o Brasil, é um marco: o colombiano radicado no país que construiu o maior banco digital da América Latina passa a ter assento na mesa que decide os rumos da empresa mais influente da inteligência artificial mundial.
Por que a OpenAI quer dois banqueiros no conselho
A escolha não é aleatória, e a data explica quase tudo. A OpenAI protocolou em junho um pedido confidencial de abertura de capital, e sua estreia na Bolsa de Nova York, que pode acontecer em 2027, é apontada como um dos maiores IPOs já vistos. Uma empresa que vai abrir capital precisa de um conselho com experiência em governança de companhias listadas, e é exatamente isso que Vélez e Vince trazem.
Vélez comanda uma empresa de capital aberto com mais de 135 milhões de clientes. Vince lidera o BNY, um dos bancos mais antigos dos Estados Unidos, e passou 26 anos no Goldman Sachs. Nas palavras de Bret Taylor, presidente dos conselhos da OpenAI, os dois são líderes que usaram a tecnologia para remodelar os serviços financeiros. Traduzindo o recado: a OpenAI está trocando a cara de laboratório de pesquisa pela de empresa pronta para a Bolsa.
A ironia de dois dias
O momento é saboroso para quem acompanha o Nubank. Foi ontem que a empresa comprou um banco de R$ 6 milhões no interior do Rio só para poder manter a palavra "banco" no nome, uma manobra regulatória doméstica e quase burocrática. Vinte e quatro horas depois, o mesmo fundador dessa empresa está sentado no conselho global da dona do ChatGPT. Os dois fatos, o miúdo e o gigante, mostram a amplitude do momento que Vélez vive.
Vale lembrar que essa não é a primeira aproximação do Nubank com o topo do poder. A empresa já havia trazido para seu próprio conselho Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, aquele sob cuja gestão o Pix foi lançado.
O que a OpenAI ganha e o que enfrenta
A entrada de peso-pesados financeiros vem em um momento em que a OpenAI vive sob dupla pressão. De um lado, precisa fortalecer a governança depois de anos de turbulência interna, incluindo a crise que quase derrubou Sam Altman e as disputas sobre sua estrutura híbrida entre fins lucrativos e não lucrativos. De outro, enfrenta concorrência que aperta cada vez mais.
Essa concorrência tem dois nomes recentes. Um é a Anthropic, rival que, segundo a apuração em torno do próprio setor, vem mostrando crescimento de receita mais acelerado. O outro veio da China: o lançamento do modelo Kimi K3, que derrubou as ações de chips na semana passada, mostrou que a liderança americana em IA não é garantida. Reforçar o conselho com nomes que sabem navegar mercados competitivos e abrir capital faz parte da resposta a esse cenário.
O que fica no radar
O foco agora é o IPO. A nomeação de Vélez e Vince é uma peça clara da preparação da OpenAI para a Bolsa, e o mercado vai acompanhar os próximos sinais de governança e estrutura da empresa. Para o investidor brasileiro, há um interesse extra: com um dos fundadores de maior sucesso do país no conselho, a eventual abertura de capital da OpenAI ganha um rosto conhecido. Enquanto isso, o Nubank segue sua própria rota de expansão, do interior do Rio ao Vale do Silício.