A Agência Internacional de Energia alertou nesta sexta-feira, 11 de setembro, que o mercado de petróleo ficou mais apertado e que a pressão é especialmente forte sobre o diesel. Os estoques globais observados recuaram 95 milhões de barris apenas em agosto.
Desde fevereiro, a redução acumulada chegou a 507 milhões de barris, média de 2,8 milhões por dia. A AIE relaciona o movimento às interrupções no Oriente Médio, aos ataques a rotas marítimas e aos problemas no sistema de refino da Rússia.
Diesel subiu mais que o petróleo
O relatório afirma que o diesel e o gasóleo superaram US$ 200 por barril nos Estados Unidos no início de setembro, quase o dobro do nível anterior à guerra. Os preços na Europa e na Ásia também ficaram próximos desse patamar.
O petróleo Brent era negociado perto de US$ 105 quando o relatório foi preparado. Na terça-feira, 9 de setembro, a referência física do Mar do Norte havia alcançado US$ 113,48 por barril.
Produção e oferta foram revisadas
A produção global caiu 1,6 milhão de barris por dia em agosto, para 100,1 milhões. A agência projeta recuo de 5,7 milhões de barris por dia na oferta média de 2026, com normalização dos fluxos do Golfo adiada para 2027.
A demanda mundial também foi revisada para baixo. A previsão agora é de queda de 2,5 milhões de barris por dia em 2026, diante dos preços elevados, da menor oferta de derivados e da desaceleração em segmentos industriais.
Possíveis efeitos no Brasil
O Brasil produz petróleo, mas os preços domésticos de combustíveis também refletem cotações internacionais, câmbio, custos de refino, logística, tributos e decisões comerciais. Por isso, um aperto global no diesel pode pressionar fretes e cadeias que dependem de transporte rodoviário.
A situação não determina um reajuste automático nas refinarias ou nos postos. Na quinta-feira, o Analistas mostrou que o Brent havia superado US$ 107 e explicado os efeitos para Petrobras e inflação.
O que observar em PETR4, VBBR3 e UGPA3
Petrobras, Vibra e Ultrapar atuam em elos diferentes da cadeia. Preço do petróleo, margens de refino, política comercial e custos de distribuição podem afetar cada companhia de maneira distinta. Uma alta do barril não produz o mesmo efeito contábil em todas elas.
A Petrobras registrou recordes recentes na Refinaria Abreu e Lima, unidade relevante para a produção de diesel. Ainda assim, o relatório da AIE trata do mercado global e não contém projeção específica para os resultados dessas empresas. Esta reportagem não constitui recomendação de investimento.