O Banco Central Europeu elevou sua principal taxa de juros em 0,25 ponto percentual nesta quinta-feira, 10 de setembro, para 2,5%. A decisão busca conter a inflação alimentada pelo choque do petróleo e pode repercutir sobre câmbio, juros e Bolsa no Brasil.
A alta foi aprovada em um cenário no qual a economia europeia mostrou resistência maior que a esperada, enquanto energia e custos de produção voltaram a pressionar os preços. O BCE indicou que continuará avaliando os dados a cada reunião.
Por que o BCE voltou a elevar os juros
O petróleo Brent ultrapassou US$ 107 por barril nesta quinta-feira com as restrições ao fluxo global provocadas pela guerra envolvendo o Irã. Energia mais cara afeta combustíveis, fretes, indústria e expectativas de inflação.
Juros maiores reduzem a demanda e encarecem o crédito, mas não anulam imediatamente um choque de oferta. A presidente do BCE, Christine Lagarde, afirmou que a permanência da energia em níveis elevados aumenta o risco de efeitos indiretos sobre outros preços.
Como a decisão pode chegar ao Brasil
Taxas mais altas na Europa aumentam a remuneração dos títulos denominados em euros e podem reduzir parte da procura por ativos de países emergentes. O efeito pode aparecer em dólar mais forte, maior volatilidade do Ibovespa e pressão sobre os juros futuros brasileiros.
Isso não significa que a Selic subirá automaticamente. O Banco Central do Brasil considera inflação doméstica, atividade, câmbio, política fiscal e expectativas. O ambiente externo é um dos elementos da decisão.
Empresas e setores mais expostos
Companhias exportadoras podem receber apoio de um real mais fraco, mas também enfrentam custos globais e demanda externa. Empresas endividadas, varejistas, construtoras e fundos imobiliários tendem a ser mais sensíveis à abertura das taxas de juros.
Petroleiras podem se beneficiar de preços maiores do barril, enquanto transporte, aviação e indústrias intensivas em energia enfrentam custos mais altos. O Analistas detalhou o cenário na matéria sobre o petróleo acima de US$ 100.
A reação dos mercados dependerá também dos dados dos Estados Unidos e das próximas decisões dos bancos centrais. Esta reportagem é informativa e não recomenda investimentos.