O BNDES aprovou R$ 22,28 milhões em financiamento para a BRITech desenvolver o Janus, uma plataforma de tecnologia para o mercado financeiro. A operação utiliza o programa BNDES Mais Inovação e foi divulgada em 5 de outubro.
O projeto prevê software em nuvem, oferecido como serviço, com módulos de automação e inteligência artificial. A proposta é conectar sistemas que as instituições já utilizam a rotinas digitais de gestão de ativos. Aprovação de crédito não significa que todo o dinheiro tenha sido desembolsado ou que o produto esteja pronto.
O que o Janus pretende reunir
Entre as funções previstas estão emissão, controle, transferência, conciliação e rastreabilidade de ativos. A arquitetura deverá permitir integração com processos de custódia, escrituração e negociação, preservando compatibilidade com o ambiente regulado brasileiro.
Os agentes de IA terão aplicações na conferência de informações e na gestão de riscos. A possibilidade de explicar e auditar resultados faz parte da proposta apresentada pela empresa. Trata-se de uma característica planejada para o produto, e não de uma certificação independente de desempenho.
Por que integrar sistemas importa
Uma instituição pode registrar uma operação em uma plataforma e conferir os respectivos saldos em outra. Quando os sistemas não se comunicam adequadamente, a conciliação exige trabalho adicional e aumenta a necessidade de controles. A integração busca reduzir essas diferenças, sem dispensar verificação e responsabilidade humana.
Software como serviço, ou SaaS, é um modelo no qual o cliente utiliza a aplicação por uma infraestrutura disponibilizada pelo fornecedor. Isso muda a forma de contratar e atualizar o sistema, mas não elimina exigências de segurança, disponibilidade, proteção de dados e continuidade operacional.
A adoção de IA em finanças também precisa ser diferenciada de integração efetiva ao negócio. Essa distância apareceu no levantamento do Banco Central sobre o uso de inteligência artificial pelas empresas.
Financiamento não é receita comercial
O recurso aprovado é crédito para desenvolvimento, não faturamento obtido com vendas do Janus. As informações consultadas não detalham taxa de juros, prazo de pagamento ou calendário de entrega. Sem esses elementos, não é possível calcular o custo total da operação nem projetar o retorno financeiro.
Para medir os resultados, os próximos pontos relevantes serão a execução do projeto, a entrada em operação dos módulos e a contratação por clientes. Ganhos de eficiência dependerão da implementação e não podem ser tratados como realizados no anúncio.
Fontes: Convergência Digital e LetsMediaHub, com informações do BNDES e da BRITech.