O banco está perto de assumir o comando do Nubank Parque até 2044, no lugar da WTorre. Mais do que uma notícia esportiva, o movimento é a ponta de uma jogada financeira que começou com a compra de uma dívida de R$ 650 milhões. Atenção: o acordo ainda não foi fechado.
O BTG Pactual (BPAC11) está prestes a entrar em um novo tipo de negócio: a operação de um estádio de futebol. O banco tem um acordo encaminhado para assumir a gestão do Nubank Parque, a arena do Palmeiras, no lugar da construtora WTorre, atual responsável pelo local. A informação foi revelada pelo portal Nosso Palestra e confirmada por diversos veículos.
Pelo desenho do negócio, o BTG comandaria a operação do estádio até 2044, ano em que se encerra o contrato da WTorre com o clube. A construtora, por sua vez, deixaria de ser a gestora principal para se tornar sócia minoritária. Vale um alerta importante desde já: as conversas estão avançadas, mas o acordo ainda não foi formalizado, e nem o banco nem a WTorre comentaram oficialmente o assunto.
A jogada financeira por trás do negócio
Aqui está o que realmente interessa ao investidor, e que vai além do futebol. A aproximação do BTG com o estádio não é de agora e nasceu de uma operação de crédito. Em 2024, a Enforce, a gestora de créditos "problemáticos" (distressed) do grupo BTG, comprou do Banco do Brasil (BBAS3) a dívida que a WTorre havia contraído para construir a arena, um valor estimado em cerca de R$ 650 milhões.
O detalhe mais importante dessa operação é que ela tinha a própria operação do estádio como garantia, em caso de calote. Ou seja, o banco se posicionou de forma inteligente: ao comprar a dívida, ganhou não só o direito de receber, mas também uma porta de entrada para o ativo em si. Assumir a gestão da arena é o passo natural dessa estratégia, um exemplo clássico de como o BTG transforma uma dívida em um ativo real e gerador de receita.
Como fica a estrutura da gestão
A transição deve ser gradual. Pelo que apurou a imprensa, num primeiro momento a gestão seria compartilhada entre o BTG e a WTorre. Com o tempo, o banco passaria a controlar integralmente a operação, com a construtora mantendo uma fatia minoritária, estimada entre 10% e 20% da sociedade.
Essa não é a primeira vez que o BTG se envolve com a arena. Recentemente, o banco participou da aprovação da venda dos direitos de nome (naming rights) do estádio, negociação que rebatizou o antigo Allianz Parque de Nubank Parque, após um acordo com a fintech.
E o Palmeiras, como fica?
Para o torcedor, fica a dúvida: o clube perde algo com isso? A resposta, pelas informações disponíveis, é não. O Palmeiras é o dono do terreno, que foi cedido para exploração até 2044, e não participa da decisão sobre quem opera o estádio.
O mais importante é que os direitos do clube não mudam. O Palmeiras mantém sua participação progressiva nas receitas geradas pela arena, como aluguel para eventos, lojas, estacionamento e lanchonetes, sem qualquer alteração nos repasses. E, ao fim do contrato, em 2044, o clube retomará o controle integral da operação e de todas as receitas do espaço.
Atenção: o acordo ainda não está fechado
Vale reforçar o ponto mais delicado da notícia. Trata-se de uma negociação em andamento, e não de um fato consumado. Ainda há pendências contratuais a serem resolvidas antes de o acordo ser assinado, e as partes envolvidas mantêm sigilo. Além disso, segundo as informações disponíveis, a possível mudança na gestão não está relacionada à execução das garantias da dívida (ou seja, não é um "calote" sendo cobrado), mas sim a um movimento estratégico do banco.
O que fica no radar
O próximo passo é acompanhar a formalização do acordo, que deve acontecer ainda neste ano. Se confirmado, o negócio mostra a face menos óbvia de um banco de investimentos: a de gestor de ativos reais, indo do crédito à operação de um dos maiores estádios do país.
O movimento também se encaixa no bom momento do banco, que vem entregando lucros recordes puxados justamente pela área de crédito. Para o investidor de BPAC11, é mais um capítulo da estratégia do BTG de diversificar suas fontes de receita, buscando retorno onde o mercado, muitas vezes, só enxerga um problema.