A chinesa BYD apresentou seu primeiro carro híbrido plug-in flex fabricado no país, capaz de funcionar com eletricidade, gasolina ou etanol. O modelo une a tecnologia elétrica da China ao combustível verde brasileiro e reforça a escalada rápida da marca por aqui.
A BYD deu mais um passo ousado no Brasil. A montadora chinesa lançou nesta terça-feira (4) o seu primeiro carro híbrido plug-in flex desenvolvido e produzido no país, fruto de um investimento de R$ 100 milhões ao longo de dois anos. O modelo, batizado de BYD Song Pro Super-Híbrido Flex Fuel, chega às concessionárias de todo o Brasil já nesta quarta-feira (5).
O grande trunfo do carro é a versatilidade. Ele estreia um sistema tri-combustível, ou seja, pode rodar de três formas: com eletricidade, com gasolina ou com etanol. É a fusão de duas tecnologias, o motor elétrico dos chineses e o motor flex, uma marca registrada do mercado brasileiro.

O que é esse carro "tri-combustível"?
Na prática, o Song Pro combina uma bateria recarregável na tomada com um motor a combustão flex. A autonomia apenas no modo elétrico é de 60 km na versão de entrada (GL) e chega a 120 km na versão topo de linha (GS). Quando a bateria acaba, o carro segue rodando com o motor a combustível, que aceita tanto gasolina quanto etanol.
Essa flexibilidade é uma vantagem e tanto para o bolso do brasileiro. O motorista pode abastecer com o que estiver mais em conta no posto, geralmente o etanol, ou simplesmente carregar na tomada, num momento em que os combustíveis fósseis seguem pressionando o orçamento, como mostra o debate sobre por que a gasolina não cede mesmo com o país produzindo mais petróleo.
Feito no Brasil, de olho na exportação
O modelo tem um forte apelo nacional. Foi fabricado na planta da BYD em Camaçari, na Bahia, e desenvolvido em conjunto pelas equipes de pesquisa da China e do Brasil. Segundo o vice-presidente sênior da empresa, Alexandre Baldy, "é um projeto muito simbólico para a BYD", por ser específico e exclusivo do mercado brasileiro.
A aposta faz parte de um plano maior. A BYD investe R$ 5,5 bilhões na fábrica de Camaçari, inaugurada em outubro de 2025, e quer transformar o Brasil em um polo de exportação regional. A empresa mira usar mais de 50% de peças locais em seus veículos até janeiro de 2027 e vai começar a fabricar baterias no país. O Song Pro Flex, inclusive, pode um dia ser exportado para mercados como a Índia, à medida que o uso do etanol se espalhe pelo mundo.
A escalada da BYD no Brasil
O lançamento vem em um momento de forte crescimento da marca. Julho foi o melhor mês da história da BYD no país, com 23.465 veículos vendidos, mais que o dobro das 9.680 unidades registradas no mesmo mês do ano anterior. O modelo Dolphin GS foi o carro mais vendido no varejo, com 5.861 unidades.
Com esse ritmo, a chinesa já se tornou a quarta maior montadora do Brasil, com 9,1% de participação de mercado. A meta é ambiciosa: produzir cerca de 180 mil carros este ano em Camaçari e vender aproximadamente 200 mil veículos no país em 2026.
O que fica no radar
A chegada do Song Pro Flex acirra a disputa no mercado automotivo brasileiro e coloca as montadoras tradicionais em alerta. A grande sacada da BYD foi usar o etanol, o combustível verde que o Brasil domina, como diferencial competitivo, algo que carros elétricos puros importados não oferecem.
Para o consumidor, mais concorrência tende a significar mais opções e, possivelmente, preços melhores. Resta acompanhar se a aposta no híbrido flex vai emplacar nas ruas e se a estratégia de nacionalização da BYD, incluindo a produção de baterias, vai realmente decolar nos próximos anos.