A BYD superou a Chevrolet nas vendas brasileiras de automóveis e comerciais leves durante a primeira quinzena de setembro de 2026. A fabricante chinesa registrou 10.230 emplacamentos entre os dias 1º e 15, contra 9.273 da marca da General Motors. O avanço ocorre enquanto os carros elétricos e híbridos ganham participação no mercado brasileiro.
O resultado colocou a BYD na terceira posição entre as marcas no período, atrás de Fiat e Volkswagen. Trata-se de uma parcial de 15 dias, e não do fechamento mensal. Por isso, a posição ainda pode mudar até o fim de setembro.
Dolphin Mini chega ao terceiro lugar
O principal destaque entre os modelos foi o BYD Dolphin Mini. O compacto elétrico somou 4.414 emplacamentos e apareceu em terceiro lugar no ranking geral da quinzena, atrás da Fiat Strada, com 7.307 unidades, e do Volkswagen Polo, com 4.995.
O resultado colocou o elétrico à frente de modelos tradicionais como Fiat Argo, Hyundai HB20 e Chevrolet Onix. O BYD Song também entrou entre os veículos mais vendidos: foram 2.735 unidades, volume que o deixou como o híbrido mais emplacado da primeira metade do mês.
A colocação do Dolphin Mini é relevante porque veículos elétricos ainda representam uma parcela menor da frota brasileira. Ao mesmo tempo, a comparação exige cautela: entregas concentradas para empresas, locadoras e frotistas podem alterar significativamente uma parcial quinzenal.
Marcas chinesas ficam com 22,8% do mercado
As fabricantes de origem chinesa responderam por 22,8% dos veículos leves emplacados na primeira quinzena de setembro, segundo levantamento da Bright Consulting. A participação ficou abaixo dos 24,7% observados na mesma janela de agosto, mas permanece em patamar elevado para um grupo que até poucos anos atrás tinha presença limitada no Brasil.
Os veículos eletrificados, incluindo as tecnologias consideradas pela consultoria, somaram 25.941 unidades e representaram 23,7% do mercado na quinzena. Na comparação com igual período de setembro de 2025, o volume cresceu 131%, partindo de 11.231 unidades.
Esses percentuais se sobrepõem. Parte expressiva dos elétricos e híbridos é vendida por fabricantes chinesas, portanto as duas participações não devem ser somadas.
Mercado de veículos cresce na quinzena
O mercado brasileiro registrou 109.536 automóveis e comerciais leves na primeira metade de setembro. O volume aumentou 7,9% diante dos primeiros 15 dias de agosto e 6,6% na comparação anual.
A quinzena teve dez dias úteis, mesmo número das bases usadas nas duas comparações. A média diária ficou próxima de 10.954 veículos. No acumulado de 2026 até 15 de setembro, os emplacamentos chegaram a aproximadamente 1,99 milhão de unidades, crescimento de 18,9% em relação ao mesmo intervalo de 2025.
O desempenho acontece depois de a produção brasileira de veículos alcançar o melhor agosto desde 2013. A combinação de maior oferta, novos modelos, incentivos associados à eficiência energética e disputa de preços ajuda a explicar o movimento.
O que o avanço da BYD representa
A ultrapassagem da Chevrolet nesta parcial mostra o aumento da pressão competitiva sobre montadoras tradicionais. A BYD combina elétricos compactos, híbridos e expansão da estrutura produtiva no país. Outras marcas chinesas também aceleram importações, produção local e abertura de concessionárias.
Isso não significa que a BYD tenha assegurado definitivamente a terceira posição mensal ou anual. O ranking pode mudar conforme o ritmo das entregas na segunda quinzena e o volume destinado a vendas diretas.
Para o consumidor, posição no ranking não substitui a análise do custo total. Preço, seguro, manutenção, disponibilidade de peças, autonomia, estrutura de recarga e desvalorização devem ser considerados. Quando a compra é parcelada, o prazo e o custo efetivo também importam, especialmente porque o prazo médio do financiamento de veículos chegou a 47 meses.
A parcial ainda pode mudar
Os números divulgados refletem somente os registros concluídos até 15 de setembro. O fechamento oficial do mês mostrará se a BYD conseguiu manter a posição diante da Chevrolet e se o Dolphin Mini permaneceu entre os três modelos mais vendidos.
Até lá, a leitura mais segura é que a fabricante chinesa ganhou espaço relevante na primeira quinzena e que um elétrico alcançou uma posição incomum no ranking brasileiro, sem transformar a parcial em tendência definitiva para todo o mês.