Além dos R$ 17,3 bilhões incluídos no pedido de recuperação judicial, Grupo Casas Bahia possui cerca de R$ 10,99 bilhões em obrigações que ficaram fora da reestruturação.
A situação financeira do Grupo Casas Bahia (BHIA3) ganhou um novo número nesta terça-feira, 25 de agosto de 2026.
Além dos R$ 17,3 bilhões relacionados ao pedido de recuperação judicial protocolado neste mês, a varejista possui aproximadamente R$ 10,99 bilhões em dívidas fora do processo.
Somadas, as obrigações relacionadas ao grupo chegam a cerca de R$ 27,8 bilhões, segundo informações publicadas nesta terça-feira.
Bancos concentram boa parte dos R$ 11 bilhões
As dívidas que ficaram fora da recuperação envolvem principalmente bancos, fundos de investimento e fornecedores.
Bradesco, Digio e Banco do Brasil concentram aproximadamente R$ 6,5 bilhões dessas obrigações, segundo levantamento divulgado pelo Times Brasil.
Alguns credores aparecem tanto na relação de dívidas submetidas à recuperação quanto entre as obrigações que permanecem fora dela.
Isso ocorre porque nem todo tipo de crédito pode ser incluído nas mesmas condições de uma recuperação judicial.
Na prática, a Casas Bahia precisará administrar simultaneamente a renegociação dos débitos abrangidos pelo processo e compromissos financeiros que continuam seguindo regras próprias.
Recuperação envolve R$ 17,3 bilhões
O Grupo Casas Bahia protocolou em agosto um pedido de recuperação judicial envolvendo aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas.
A companhia atribuiu a deterioração financeira a fatores como juros elevados, restrição de crédito, aumento do custo financeiro, pressão sobre o consumo e dificuldades para concretizar alternativas de liquidez.
O Analistas já acompanhou o início da crise na matéria Casas Bahia (BHIA3) entra em recuperação judicial, fecha 298 lojas e demite mais de 3 mil. A página consta no sitemap do site.
A companhia também enfrenta questionamentos relacionados às demissões realizadas durante a reestruturação.
Nesta terça-feira, a Justiça do Trabalho manteve suspensas demissões coletivas realizadas pelo grupo e preservou uma decisão que determinava a reintegração de trabalhadores desligados sem negociação sindical prévia.
R$ 28 bilhões aumentam o desafio da reestruturação
O novo número não significa que todos os R$ 27,8 bilhões serão tratados dentro da recuperação judicial.
Justamente o contrário: cerca de R$ 11 bilhões permanecem fora dela.
Essa diferença importa porque a proteção e as condições de renegociação proporcionadas pela recuperação não necessariamente alcançam essas obrigações.
O grupo precisará preservar caixa suficiente para manter lojas, fornecedores e operações enquanto negocia com milhares de credores.
A companhia informou originalmente cerca de 28 mil credores relacionados aos R$ 17,3 bilhões levados ao processo.
O Analistas também já analisou outros fatores que pressionaram a varejista na matéria As bets afundaram a Casas Bahia? A resposta é mais incômoda.
Com a revelação das obrigações externas à recuperação, a dimensão financeira do problema fica maior: o passivo relacionado à companhia se aproxima de R$ 28 bilhões, enquanto apenas R$ 17,3 bilhões estão dentro da reestruturação judicial