A Dívida Pública Federal (DPF) terminou agosto de 2026 em R$ 9,293 trilhões, alta nominal de 0,04% sobre julho. O estoque praticamente não mudou porque R$ 88,39 bilhões em juros foram parcialmente compensados por um resgate líquido de R$ 84,43 bilhões, segundo relatório divulgado pelo Tesouro Nacional nesta segunda-feira, 28 de setembro.
O resultado mantém a dívida abaixo do intervalo de R$ 9,7 trilhões a R$ 10,3 trilhões previsto pelo Plano Anual de Financiamento para o fim de 2026. A comparação, porém, não significa que o estoque necessariamente ficará abaixo dessa faixa até dezembro.
Juros superaram o resgate líquido
O Tesouro emitiu R$ 211,62 bilhões e resgatou R$ 296,05 bilhões em agosto. A diferença produziu resgate líquido de R$ 84,43 bilhões. Mesmo assim, a apropriação de juros de R$ 88,39 bilhões fez o estoque avançar R$ 3,95 bilhões no mês.
Em julho, a dívida estava em R$ 9,289 trilhões. O Analistas mostrou que, naquele mês, os juros também superaram o efeito dos resgates líquidos.
Reserva de liquidez caiu 11,89%
A reserva de liquidez, usada como colchão para o pagamento de compromissos da dívida, caiu 11,89% em agosto e terminou o mês em R$ 1,208 trilhão. Na comparação com agosto de 2025, ainda houve aumento de 6,49%.
A queda mensal deve ser lida junto com o calendário de vencimentos e a estratégia de financiamento. A parcela da DPF com vencimento nos 12 meses seguintes recuou de 18,91% para 16,39%, enquanto o prazo médio aumentou de 4,05 para 4,10 anos.
Títulos ligados à Selic ganharam espaço
Papéis com taxas flutuantes, grupo que inclui títulos ligados à Selic, passaram de 51,11% para 52,74% do estoque. A fatia indexada a preços caiu de 26,02% para 23,22%, e a parcela prefixada subiu de 19,22% para 20,31%. Os títulos cambiais representaram 3,74%.
O custo médio da DPF acumulado em 12 meses aumentou de 12,45% para 12,59% ao ano. Já o custo médio das emissões domésticas em oferta pública recuou de 14,10% para 13,96% ao ano.
O que o número significa
A DPF reúne títulos e contratos sob responsabilidade do Tesouro em poder do público. Ela não é igual à Dívida Bruta do Governo Geral divulgada pelo Banco Central, que usa conceito e cobertura diferentes.
O tamanho nominal da dívida, isoladamente, não determina a sustentabilidade fiscal. Para avaliar a trajetória, também importam o custo dos juros, os prazos, a composição dos títulos, o crescimento da economia e a capacidade do governo de administrar receitas e despesas.