O dólar comercial saltou mais de 12% e superou R$ 5,60 na manhã desta segunda-feira (26), após a confirmação do resultado presidencial. A disparada colocou o dólar no centro do mercado e aumentou a pressão sobre as expectativas de inflação e juros no Brasil.
Quanto o dólar subiu
No início do pregão, a moeda chegou a avançar 12,52%, perto de R$ 5,60. A primeira parcial da Ptax divulgada pelo Banco Central, às 10h13, marcou R$ 5,6036 na compra e R$ 5,6052 na venda.
A Ptax é uma taxa de referência calculada pelo Banco Central a partir de consultas ao mercado. Ela não é exatamente o preço pago por quem compra moeda em banco ou casa de câmbio, mas influencia contratos e operações financeiras.
Os números desta reportagem são intradiários. Em uma sessão de alta volatilidade, a cotação pode avançar ou recuar vários centavos em poucos minutos.
O que explica o movimento
O câmbio reagiu à reeleição de Lula e à revisão das expectativas para a política fiscal a partir de 2027. Parte do mercado esperava outro resultado ou havia montado posições com base em uma chance maior de mudança de governo.
Quando o cenário muda, investidores desfazem essas posições e buscam dólares para proteção. O movimento foi reforçado pela queda da Bolsa e pela alta dos juros futuros, três mercados que costumam se influenciar em dias de aversão ao risco.
Isso não significa que a moeda permanecerá no mesmo nível. Declarações sobre o Orçamento, composição da equipe econômica, relação com o Congresso e compromisso com as metas fiscais podem alterar rapidamente a percepção.
Como o dólar afeta o consumidor
Uma moeda mais cara encarece viagens internacionais, compras em sites estrangeiros e produtos importados. Também pode elevar custos de combustíveis, medicamentos, eletrônicos e insumos industriais, embora o repasse ao consumidor não seja imediato nem integral.
Exportadores recebem mais reais por receitas em dólar, mas muitas empresas também compram máquinas, fertilizantes, componentes ou combustível no exterior. O efeito depende da combinação entre receitas, custos e dívidas em moeda estrangeira.
Para o Banco Central, a preocupação principal é saber se a alta será passageira ou se chegará aos preços. A autoridade dispõe de leilões de linha, swaps e reservas internacionais, mas não tem obrigação de defender uma cotação específica.
O que acompanhar agora
O mercado observará as intervenções do Banco Central, o comportamento da Ptax e a abertura dos mercados nos Estados Unidos. Também serão importantes os primeiros sinais do governo sobre 2027.
Para pessoas físicas, o dia recomenda cautela. Comprar moeda de uma vez em um momento extremo aumenta o risco de pagar o pico. Quem tem despesa futura pode diluir compras, enquanto quem investe deve separar proteção cambial de aposta de curto prazo.