A Embraer assinou um acordo para vender mais oito jatos E190-E2 à japonesa ANA Holdings. A encomenda adicional eleva para 23 o total de aeronaves firmes contratadas pelo maior grupo aéreo do Japão e amplia a presença da fabricante brasileira no mercado de aviação regional asiático.
O novo contrato formaliza uma decisão de expansão anunciada pela ANA em 29 de julho. A companhia havia comprado 15 unidades do E190-E2 em 2025 e ainda mantém opções para adquirir outros cinco aviões do mesmo modelo.
Pedido firme sobe para 23 aeronaves
As oito unidades adicionais serão incorporadas ao pedido já existente. A primeira entrega do E190-E2 à ANA está prevista para 2028, quando o modelo deverá entrar na malha regional japonesa.
A fabricante não divulgou o valor efetivo do novo contrato. Estimativas baseadas em preços de catálogo não representam necessariamente a receita do negócio, porque acordos entre fabricantes e companhias aéreas costumam incluir descontos, condições de financiamento e pacotes de serviços confidenciais.
Por esse motivo, não é possível calcular com precisão o impacto financeiro apenas multiplicando o número de aviões por um preço público de referência. O reconhecimento de receita também ocorrerá conforme as entregas e as regras contábeis aplicáveis.
Por que a ANA escolheu o E190-E2
A companhia japonesa pretende reforçar conexões entre cidades atendidas por rotas de menor densidade. O E190-E2 foi projetado para operações regionais e permite ajustar capacidade, consumo de combustível e custos a mercados nos quais aeronaves maiores podem ser menos eficientes.
A ANA destacou redução de impacto ambiental e de custos operacionais entre os motivos para ampliar a encomenda. A família E2 utiliza motores de nova geração e atualizações aerodinâmicas em relação aos primeiros E-Jets.
A entrada de um novo modelo exige preparação de tripulações, manutenção, peças e infraestrutura. A Embraer já mantém suporte local no Japão, mercado no qual aeronaves da família E-Jets operam desde 2009.
Negócio fortalece a carteira comercial
Pedidos firmes entram na carteira da fabricante e oferecem visibilidade para a produção futura. O efeito sobre receita e caixa, contudo, depende do calendário de fabricação, dos adiantamentos e das entregas efetivamente realizadas.
A encomenda ocorre em um período de expansão da atuação internacional da Embraer. Em agosto, o BNDES aprovou R$ 3,7 bilhões para financiar a exportação de jatos ao Canadá, outra operação voltada ao fortalecimento da carteira externa.
A companhia também atingiu recentemente a marca de 2.000 E-Jets entregues. A plataforma está presente em companhias aéreas de diferentes regiões e é uma das principais linhas da divisão de aviação comercial.
Ticker correto é EMBJ3
As ações da Embraer passaram a ser negociadas na B3 pelo código EMBJ3. O ticker EMBR3, usado anteriormente, não deve ser associado às notícias atuais da companhia no campo de ativos do CMS. Nos Estados Unidos, os recibos são negociados sob o código EMBJ.
A nova encomenda é positiva para a carteira comercial, mas não determina isoladamente o comportamento das ações. Câmbio, margem, ritmo de entregas, custos da cadeia de fornecedores e geração de caixa continuam relevantes para a avaliação da empresa.
Próximos passos
Embraer e ANA deverão avançar na preparação operacional até as primeiras entregas, previstas para 2028. O cronograma específico das oito unidades adicionais não foi detalhado.
O dado confirmado é que a ANA agora possui 23 E190-E2 em pedidos firmes e cinco opções. As opções não equivalem a compras concluídas e somente entrarão como encomendas firmes se forem exercidas pela companhia japonesa.