O banco de fomento aprovou um financiamento bilionário para viabilizar a venda de até 19 jatos E195-E2 para uma companhia aérea canadense. É a primeira operação direta do tipo para o Canadá e mais um reforço na boa fase da fabricante brasileira.
A Embraer (EMBR3) ganhou um empurrão de peso para seguir vendendo aviões mundo afora. O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) aprovou um financiamento de entre R$ 3,3 bilhões e R$ 3,7 bilhões para apoiar a exportação de até 19 aeronaves E195-E2 destinadas à Porter Airlines, companhia aérea do Canadá.
A operação, feita pela linha BNDES Exim Pós-embarque, tem um marco: é o primeiro financiamento direto do banco para a exportação de aviões da Embraer a uma empresa canadense. Na prática, é dinheiro público brasileiro ajudando a destravar a venda de um dos produtos de maior valor agregado que o país exporta.
O que o BNDES está financiando?
Vale entender como funciona. Nesse tipo de operação, o BNDES financia a compra por parte do cliente estrangeiro, tornando o produto brasileiro mais competitivo lá fora. É uma prática comum entre os grandes países exportadores, que usam seus bancos de fomento para impulsionar a indústria nacional.
O crédito vai cobrir parte da encomenda da Porter, que tem um pedido total de 75 jatos E195-E2, dos quais 54 já foram entregues. As aeronaves restantes devem ser recebidas até 2030. Para reduzir o risco da operação, o financiamento conta com um seguro de crédito à exportação, lastreado em um fundo garantidor federal, o que dá mais segurança ao negócio.
Por que isso importa para a Embraer?
Para a fabricante brasileira, o financiamento é combustível para manter as linhas de produção girando. Segundo o próprio BNDES, a operação ajuda a preservar o ritmo de fabricação da Embraer e os empregos de toda a cadeia aeroespacial nacional, um setor de alta tecnologia e mão de obra qualificada.
O negócio se soma a uma sequência de boas notícias para a companhia. Nos últimos meses, a Embraer emplacou vendas importantes, como o primeiro pedido histórico da LATAM, com 24 jatos E195-E2, e vinha de uma carteira de pedidos recorde de US$ 34,5 bilhões. Cada nova operação como essa dá mais fôlego e previsibilidade de receita à fabricante.
Quem é a Porter Airlines?
A parceira canadense não é uma desconhecida da Embraer. A Porter Airlines começou a incorporar os jatos E195-E2 em 2023 e vem expandindo rapidamente sua malha na América do Norte. Hoje, a companhia opera voos no Canadá, nos Estados Unidos, no Caribe e na América Latina, e aposta justamente na nova frota brasileira para sustentar seu crescimento.
Ou seja, quanto mais a Porter cresce, mais aviões da Embraer ela tende a colocar no ar, o que faz do cliente canadense uma peça relevante na estratégia da fabricante para a região.
O que fica no radar
As entregas restantes do pedido da Porter seguem programadas até 2030, o que garante um fluxo de trabalho de longo prazo para a Embraer. Para o investidor de EMBR3, o financiamento do BNDES reforça uma tese que vem se repetindo: a fabricante brasileira segue transformando reputação técnica e apoio institucional em contratos concretos.
Vale lembrar que a Embraer já entregou mais de 9 mil aeronaves desde a sua fundação e é líder mundial no segmento de jatos comerciais de até 150 assentos. O apoio do BNDES às exportações, uma parceria histórica, é mais uma engrenagem nessa máquina que coloca a indústria aeronáutica brasileira entre as mais competitivas do planeta.