A ANA Holdings, dona da maior companhia aérea do Japão, ampliou seu pedido de jatos regionais brasileiros. O negócio reforça a carteira recorde da Embraer e consolida a fabricante no mercado asiático.
A Embraer (EMBR3) fechou mais uma boa notícia na Ásia. A ANA Holdings, controladora da All Nippon Airways, a maior aérea do Japão, aprovou a compra de oito jatos E190-E2 adicionais, em pedido firme confirmado pelo conselho da empresa nesta quarta-feira (29).
O negócio está avaliado em cerca de 105 bilhões de ienes, o equivalente a aproximadamente US$ 642 milhões. Com essa nova leva, a ANA eleva para 23 o número de encomendas firmes do modelo, somando-se ao pedido original de até 20 aeronaves anunciado em 2025 e fechado durante o Paris Air Show daquele ano.
Quem comprou e por quê?
Os oito novos jatos serão operados pela IBEX Airlines, parceira da ANA sediada em Tóquio, sob um contrato do tipo ACMI, no qual a IBEX cuida da operação enquanto a ANA fica responsável por rotas e vendas, com os voos saindo sob os códigos da companhia. Na prática, é a ANA terceirizando parte da malha doméstica para ganhar eficiência.
As aeronaves vão substituir os antigos jatos CRJ que a IBEX opera hoje. Por trás da decisão está um desafio conhecido do Japão: uma população que encolhe e uma demanda doméstica que exige aviões mais flexíveis e econômicos. O E190-E2, com cerca de 100 assentos e motores Pratt & Whitney de última geração, promete justamente menor consumo de combustível, menos ruído e custo operacional mais baixo.
Vale lembrar um detalhe saboroso dessa história: a ANA foi a cliente de lançamento do malfadado SpaceJet, o jato regional que a Mitsubishi tentou desenvolver no Japão e acabou cancelando em 2023, após anos de atrasos e bilhões gastos. Com o projeto japonês fora do jogo, a Embraer herdou esse espaço e hoje colhe os frutos.
O que isso significa para a Embraer?
Cada novo pedido engrossa uma carteira que já está no maior patamar da história da companhia. A fabricante brasileira vem de um trimestre em que a carteira de pedidos bateu o recorde de US$ 34,5 bilhões, o que dá visibilidade de receita para os próximos anos.
A família E-Jets E2 é hoje um dos maiores trunfos comerciais da Embraer, com aeronaves voando em dezenas de países. Emplacar mais unidades com uma gigante como a ANA, em um mercado exigente como o japonês, funciona como um selo de qualidade que ajuda a destravar novas vendas na região.
As entregas dos oito jatos adicionais estão previstas para o período entre os anos fiscais de 2029 e 2032. As primeiras aeronaves do pedido original, por sua vez, começam a ser entregues a partir de 2028.
O que fica no radar
Para o acionista da EMBR3, o recado é positivo: a Embraer segue transformando reputação técnica em contratos concretos e de longo prazo. Ainda restam cinco opções de compra do acordo de 2025 que podem virar pedidos firmes no futuro, o que ampliaria ainda mais a encomenda japonesa.
O próximo termômetro virá com os resultados trimestrais e a evolução do backlog, que o mercado acompanha de perto para medir até onde vai esse ciclo de bons ventos para a fabricante brasileira.