A Embraer (EMBJ3) voltou a bater seu próprio recorde. A carteira de pedidos da fabricante de aviões brasileira fechou o segundo trimestre em US$ 34,5 bilhões, o maior valor já registrado pela companhia. O número representa um avanço de 16% em relação a junho do ano passado e supera em 7% a marca anterior, alcançada apenas no trimestre passado.
Segundo apuração do Seu Dinheiro, o volume de encomendas firmes para entregas futuras dá à empresa fôlego suficiente para atravessar os próximos anos com receitas praticamente contratadas. E o mercado reagiu na hora: as ações EMBJ3 subiam quase 4% na manhã desta segunda-feira (27).
Por que esse recorde tranquiliza tanto o investidor?
A resposta está no prazo. Uma carteira desse tamanho significa que a empresa já sabe boa parte do que vai faturar nos próximos anos, independente de solavancos na economia global.
De acordo com as informações obtidas pelo Seu Dinheiro, a XP avaliou que, mesmo diante da incerteza geopolítica e da oscilação nos preços dos combustíveis, o backlog seguiu crescendo. O banco afirmou que a carteira dá visibilidade de receita até o fim da década e manteve a recomendação de compra para o papel. O Citi seguiu na mesma linha e destacou que o recorde reforça um ciclo de crescimento que já dura alguns anos. Não é a única blue chip industrial brasileira no radar das corretoras: a WEG (WEGE3) também acaba de ganhar novas recomendações de compra.
Onde estão os pedidos da Embraer
A carteira se divide em três grandes frentes, e cada uma cresceu no período:
- Aviação comercial: US$ 15,1 bilhões, alta de 15% no ano, impulsionada por 15 novos jatos E195-E2 encomendados pela Azorra.
- Aviação executiva: US$ 7,8 bilhões, avanço de 5% na comparação anual.
- Defesa e segurança: US$ 6,1 bilhões, com salto de 42% e o maior crescimento entre os segmentos.
O contrato que virou o jogo na área militar
O grande destaque veio da defesa, e um único cliente explica boa parte disso. A Embraer fechou um acordo histórico para fornecer 10 cargueiros C-390 Millennium à Força Aérea dos Emirados Árabes Unidos, com opção para mais 10 aeronaves.
Foi a estreia do modelo no Oriente Médio e o maior contrato militar já assinado pela empresa. Pelos cálculos do Citi, o negócio elevou o valor de cada aeronave a um recorde de US$ 170 milhões. Para o BTG Pactual, esse patamar de preço deve dar um bom empurrão nas margens da companhia daqui para frente.
E ainda há mais no radar: o número atual não inclui os pedidos mais recentes, de 28 aeronaves comerciais, que podem somar outros US$ 1,2 bilhão à carteira no terceiro trimestre. No salão de Farnborough, na semana passada, foram mais de 50 aeronaves anunciadas, repetindo o ritmo forte visto em eventos anteriores, quando a Embraer chegou a fechar até 88 aviões em Londres. Isso abre espaço para um backlog ainda mais robusto nos próximos meses.
Melhor segundo trimestre em 16 anos
O ritmo de entregas acompanhou o das encomendas. A Embraer finalizou 65 aeronaves no trimestre, sendo 20 comerciais e 45 jatos executivos, contra 61 um ano antes. Foi o melhor segundo trimestre da companhia em 16 anos.
No primeiro semestre, a empresa já entregou 42% de tudo o que prevê para o ano inteiro, bem acima da média histórica de 32% para o período, o que sinaliza um ano com folga na meta.
A aposta no futuro não se limita aos aviões tradicionais. A Eve Air Mobility, braço de mobilidade elétrica da Embraer, já vendeu 46 "carros voadores" e mira operação em 2027, abrindo mais uma frente de receita para os próximos anos.
O que fica no radar
Os bancos seguem otimistas com a ação. O Citi tem recomendação de compra e preço-alvo de US$ 76 para as ADRs, um potencial de alta de 17%. O BTG é ainda mais generoso: também com recomendação de compra, projeta US$ 97, o que abriria espaço para uma valorização de quase 50%. Os olhos do mercado agora se voltam para o terceiro trimestre, quando os pedidos de Farnborough devem entrar na conta e testar mais um recorde.