Exportações do Brasil para os EUA despencam e participação americana atinge menor patamar desde 1997
Participação dos EUA nas exportações brasileiras cai a 9,4% no 1º semestre de 2026, pior marca da série histórica, após tarifaço de Trump, aponta Amcham.
Levantamento da Amcham Brasil mostra que o mercado norte-americano respondeu por apenas 9,4% das vendas externas brasileiras no primeiro semestre de 2026, reflexo direto do tarifaço de Donald Trump. Enquanto isso, embarques para China e União Europeia crescem em ritmo acelerado. O peso dos Estados Unidos na pauta exportadora brasileira encolheu ao ponto mais baixo em quase três décadas. De acordo com dados divulgados pela Amcham Brasil nesta terça-feira (7), os americanos absorveram somente 9,4% de tudo o que o país vendeu ao exterior entre janeiro e junho — o pior resultado desde 1997, quando a série histórica começou a ser medida. Em valores, os embarques brasileiros rumo aos EUA totalizaram US$ 17,4 bilhões no semestre, retração de 13% na comparação com o mesmo intervalo de 2025. Considerando o fluxo completo entre os dois países (exportações somadas às importações), a queda foi de 12,8%, com a corrente de comércio fechando em US$ 36,4 bilhões.
Tarifas explicam o tombo
A pesquisa da Câmara Americana de Comércio deixa claro que as sobretaxas impostas pelo governo Trump são o principal motor do recuo. Os produtos diretamente atingidos pelas tarifas tiveram queda de 16,6% nas vendas ao mercado americano no período. Os itens fora do alcance das medidas também caíram, mas em ritmo bem menor: 8,7%. O contraste com o desempenho geral do comércio exterior brasileiro é evidente. No mesmo semestre, as exportações totais do país avançaram 11,5%, puxadas pela China — que aumentou suas compras em 21,9% — e pela União Europeia, com alta de 12,8%. Ou seja: o Brasil vende mais para o mundo, mas cada vez menos para os americanos.
Nova rodada de tarifas no radar
O ambiente pode piorar. O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) estuda impor tarifas adicionais contra produtos brasileiros a partir do dia 15 de julho, no contexto da investigação aberta com base na Seção 301 da legislação comercial americana. Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, avaliou que os números do semestre confirmam a forte pressão sobre o comércio bilateral e defendeu a construção de um acordo entre os dois governos capaz de impedir a entrada em vigor de novas sobretaxas. Segundo ele, uma eventual rodada extra de tarifas tende a comprometer ainda mais as trocas entre os dois países.
Importações também caem
O estrago não se limita às vendas brasileiras. As compras do Brasil de produtos fabricados nos EUA recuaram 12,5% no primeiro semestre. O destaque negativo ficou com máquinas e motores, segmento que desabou 76% — o equivalente a US$ 2,7 bilhões a menos. Aeronaves e suas partes também perderam terreno, com queda de 14,6% (cerca de US$ 100 milhões).
Sinais tímidos de recuperação
Junho trouxe um respiro pontual: depois de dez meses seguidos de queda, as exportações brasileiras aos EUA cresceram 3,7% em valor. O volume embarcado, porém, continuou caindo, o que sugere uma retomada ainda frágil e sustentada por preços, não por quantidade. Entre os dez principais produtos vendidos aos americanos no semestre, cinco registraram alta:
- Carne bovina: +41%
- Aeronaves: +32,9%
- Equipamentos de engenharia: +23,8%
- Máquinas de energia elétrica: +16%
- Óleos combustíveis: +13,7%
Mesmo com esses avanços isolados, a Amcham reforça que os itens sobretaxados seguem em trajetória descendente. Para os próximos meses, o cenário dependerá das decisões de Washington sobre as novas tarifas e de fatores externos, como o conflito no Oriente Médio, que pressiona os custos de óleo e gás.
Com informações da Amcham Brasil.
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