A Fitch Ratings espera que o Brasil adote uma política fiscal mais rígida em 2027, independentemente de quem vencer as eleições presidenciais. A agência de classificação de risco avalia que déficit elevado, dívida acima de 80% do PIB e juros ainda altos limitarão o crescimento da economia brasileira no próximo ano.
Projeções apresentadas pela Fitch
| Indicador | Projeção |
|---|---|
| Crescimento do PIB em 2026 | 1,9% |
| Crescimento do PIB em 2027 | 1,4% |
| Selic no fim de 2027 | 11,75% |
| Déficit orçamentário citado | Acima de 8% do PIB |
| Dívida pública citada | Acima de 80% do PIB |
A estimativa aponta desaceleração da atividade econômica entre 2026 e 2027. Mesmo com a expectativa de queda da Selic, a taxa continuaria elevada em termos históricos e reais, descontada a inflação.
“A taxa de juros poderia cair mais rapidamente em caso de um ajuste fiscal significativo.” — Fitch Ratings
O recado da agência é que a política monetária não opera sozinha. Se o governo apresentar medidas capazes de estabilizar a dívida e reduzir o risco fiscal, os juros de prazo mais longo podem cair. Sem esse movimento, o Banco Central tende a manter cautela diante das expectativas de inflação.
Por que as contas públicas afetam os juros
Quando o governo gasta persistentemente mais do que arrecada, precisa financiar a diferença. O aumento da dívida pode elevar o prêmio exigido por investidores para comprar títulos públicos, especialmente quando há dúvida sobre a capacidade de estabilizar essa trajetória.
Juros maiores aparecem no custo do crédito para famílias e empresas. Financiamentos, capital de giro e investimentos ficam mais caros. Por isso, o problema fiscal não se limita ao orçamento federal: ele chega ao consumo, à contratação e aos projetos produtivos.
A Fitch destacou que os juros elevados manterão alto o comprometimento do setor privado com o serviço da dívida. Na prática, parte maior da renda de famílias e do caixa das empresas fica destinada ao pagamento de encargos, reduzindo o espaço para consumo e investimento.
Ajuste dependerá do próximo governo
O segundo turno presidencial ocorre em 25 de outubro. Lula e Flávio Bolsonaro apresentam prioridades políticas diferentes, mas o diagnóstico da Fitch é que qualquer vencedor encontrará restrição fiscal relevante em 2027.
Ajuste fiscal pode envolver contenção de despesas, revisão de benefícios tributários, aumento de receitas ou mudanças em regras orçamentárias. A combinação escolhida define quem suporta o custo e qual será o impacto sobre a atividade. A agência não apresentou uma única fórmula nem afirmou que todas as medidas possíveis produzem o mesmo resultado.
O efeito sobre empresas e investimentos
Companhias endividadas e dependentes do mercado doméstico tendem a sentir mais diretamente juros elevados e crédito restrito. Varejo, construção, pequenas empresas e negócios com grande necessidade de capital de giro estão entre os segmentos mais sensíveis.
Empresas exportadoras podem ter dinâmica diferente, pois parte de sua receita vem do exterior. Mesmo assim, câmbio, custo de financiamento e atividade global continuam relevantes.
Para os títulos públicos, mudanças na percepção fiscal alteram as taxas de negociação. Papéis prefixados e indexados à inflação podem subir ou cair de preço antes do vencimento conforme o mercado revê expectativas de Selic, inflação e risco.
O que acompanhar depois da eleição
Os primeiros sinais serão a equipe econômica, a proposta de Orçamento, as prioridades enviadas ao Congresso e as metas para resultado primário. Também será necessário observar se as medidas têm apoio político e efeito permanente, e não apenas impacto pontual.
A projeção da Fitch é um cenário, não um resultado contratado. PIB, inflação e Selic podem mudar com decisões do novo governo, comportamento do Congresso, ambiente externo e dados da atividade. O ponto central do relatório é que a margem para adiar decisões fiscais ficou menor.